Eleitos do PS de Espinho que se opuseram ao orçamento camarário foram, na madrugada desta quarta-feira, "escoltados pela PSP" até às respetivas residências após confrontos verbais com populares à saída da Assembleia Municipal, revelou a federação distrital do partido.

Condeno veementemente os atos de intimidação e coação dirigidos a eleitos do PS e interpelo todos os partidos democráticos a condenarem o sucedido e a demarcarem-se do que aconteceu. É grave que o presidente da concelhia do PS e o presidente da Junta da União de Freguesias de Anta e Guetim tenham necessitado de escolta policial para se deslocar até casa em segurança", disse à Lusa o presidente da Federação de Aveiro do PS, Jorge Vultos Sequeira.

Contactada pela Lusa, fonte oficial do comando distrital de Aveiro da PSP confirmou: "Dois elementos da Assembleia (Municipal de Espinho) foram acompanhados até casa no carro da PSP, para assegurar que não haveria incidentes".

Um dos elementos que recebeu escolta foi Miguel Reis, que, enquanto vereador do PS e presidente da concelhia socialista, votou contra o documento em reunião de Câmara, e outro foi Nuno Almeida, que, na condição de presidente da Junta da União de Freguesias de Anta e Guetim, se absteve na votação do orçamento da autarquia em Assembleia Municipal.

A reunião da Assembleia Municipal, que decorreu na terça-feira à noite, foi descrita como "uma das mais participadas de sempre" em Espinho, por ter em discussão um orçamento que, caso não fosse aprovado, atrasaria a construção do Estádio Municipal e a comparticipação financeira da Câmara para o novo quartel dos bombeiros.

A Assembleia foi precedida por uma concentração de populares e depois acompanhada no interior da Câmara por cerca de 100 cidadãos, mas dezenas de pessoas foram impedidas de entrar no edifício devido à insuficiência de espaço, pelo que permaneceram no exterior até ao final - algumas das quais munidas de archotes e de bandeiras, camisolas e outros acessórios identificativos do Sporting Clube de Espinho.

Essa concentração popular deu-se na sequência de mensagens na Internet apelando a um "movimento pacífico" em defesa do Estádio Municipal - que será propriedade da autarquia, mas cedido ao clube local para funcionar como sua sede - e depois de cartazes com tom intimidatório terem sido colados na residência de eleitos locais que, em dezembro de 2018, votaram pela primeira vez contra o orçamento.

A Lusa tentou ouvir o presidente do Sporting Clube de Espinho, mas esse não estava contactável.

Depois de um primeiro chumbo em dezembro de 2018, o orçamento municipal de Espinho para 2019, no valor de 36,7 milhões de euros, foi esta madrugada aprovado com 12 votos favoráveis pelos nove eleitos do PSD, os dois presidentes das juntas de freguesia de Espinho e Paramos, e um deputado do BE.

Os votos contra, por sua vez, partiram de sete membros do PS, um da CDU e um do movimento Pela Minha Gente (PMG), enquanto as abstenções couberam a um eleito do PMG e aos presidentes das juntas de Silvalde e da União de Freguesias de Anta e Guetim.

O socialista João Carapeto ausentou-se da sala durante a votação por se opor aos procedimentos.