O presidente do Governo da Madeira, Miguel Albuquerque, disse esta terça-feira que o executivo não hesitará em recuar nas medidas de desconfinamento perante um eventual agravamento da situação epidemiológica e sublinhou que a região atravessa um "período crítico".

Se a situação se agravar, eu tomo as decisões que tiver de tomar", afirmou o governante, reforçando que a redução do período de recolher obrigatório "não significa o abandalhamento do recolher obrigatório".

O chefe do executivo madeirense, de coligação PSD/CDS-PP, falava à margem de uma visita ao local onde vão decorrer as obras de conclusão da via expresso entre o Jardim da Serra e o Estreito de Câmara de Lobos, no concelho de Câmara de Lobos, zona oeste da Madeira, empreitada orçada em 17 milhões de euros, que deverá ficar concluída no segundo semestre de 2022.

Não podemos estar excessivamente otimistas, até porque temos exemplos de outras situações, em que as aberturas correram bem numa primeira fase e depois tiveram de fazer um recuo", afirmou Miguel Albuquerque.

Na segunda-feira, o Governo da Madeira decidiu aliviar várias medidas de combate à pandemia de covid-19 e anunciou que o recolher obrigatório no arquipélago vai passar a vigorar entre as 23:00 e as 05:00, incluindo aos fins de semana, a partir de domingo.

Atualmente, o recolher obrigatório vigora entre as 19:00 e as 05:00 do dia seguinte durante a semana e entre as 18:00 e as 05:00 aos fins de semana e feriados.

Segundo informação divulgada pelo executivo, o novo horário é aplicado a partir das 00:00 de 02 de maio.

Os restaurantes e bares poderão estar abertos até às 22:00 com uma lotação até 50%, com cinco pessoas por mesa, e nos bares não é permitido "beber ao balcão ou de pé".

Atualmente, a restauração, tal como as outras atividades comerciais, encerra durante a semana às 18:00 e aos fins de semana às 17:00, sendo que o horário de entrega de refeições ao domicílio decorre até às 22:00, todos os dias.

Toda a gente está ciente que este é um período crítico e se cumprirmos as regras, se não houver abusos, se não houver relaxamento, ficamos a ganhar", declarou Miguel Albuquerque, salientando que haverá um "reforço da fiscalização".

O governante indicou, também, que o eventual recuo nas medidas agora anunciadas não depende do número de casos diários de covid-19 registados na região, mas da capacidade de resposta do serviço de saúde face ao número de internamentos na unidade polivalente e nos cuidados intensivos.

De acordo com os dados mais recentes da Direção Regional de Saúde, 13 pessoas estão internadas no Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal, uma delas na unidade de cuidados intensivos.

O arquipélago da Madeira, com cerca de 260 mil habitantes, regista 264 casos ativos de infeção por SARS-CoV-2, num total de 8.895 casos confirmados desde o início da pandemia, e 71 mortos associados à doença.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.122.150 mortos no mundo, resultantes de mais de 147,7 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16.970 pessoas dos 834.991 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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