Maria Malveiro, de 20 anos, foi esta terça-feira condenada a 25 anos prisão pela morte de Diogo Gonçalves, de 21 anos, que foi desmembrado depois de ter sido assassinado no Algarve.

A jovem foi considerada culpada dos crimes dos crimes de homicídio qualificado, pelo qual foi condenada a 23 anos de prisão, um crime em coautoria de profanação de cadáver (dois anos), um crime de furto (dois anos), dois crimes de acesso ilegítimo (20 meses, dez meses por cada um dos crimes) e um crime de burla informática e de comunicações na forma continuada (dois anos), um crime de uso e furto de veículo (um ano) e um crime de detenção de arma proibida (dois anos).

Para além disto, foi ainda condenada a pagar uma indemnização de 265.396 euros ao pai de Diogo Gonçalves, dos quais 150.396 euros de danos patrimoniais e 115 mil euros de danos não patrimoniais.

A outra arguida do caso, Mariana Fonseca, de 24 anos, foi ilibada do crime de homicídio qualificado, mas ainda assim foi condenada a quatro anos de prisão efetiva, pela coautoria de um crime de profanação de cadáver (um ano e 10 meses), burla informática e de comunicações (um ano e seis meses) e um crime de peculato (um ano e seis meses).

Apesar disso, a jovem sai em liberdade porque nenhum dos crimes pelos quais foi condenada prevê prisão preventiva, ficando com pena suspensa, pelo menos até que a sentença transite em julgado. Mariana terá ainda de pagar 350 euros de indemnização ao pai de Diogo.

Diz o tribunal que Mariana ainda tentou reanimar Diogo, o que afasta a intenção da morte.

Na leitura do acórdão, a presidente do coletivo que julgou o caso afirmou que o tribunal deu como provado que Maria matou Diogo, embora não tenha conseguido provar a participação no homicídio da outra arguida, Mariana.

O tribunal deu como provado que a dupla engendrou um plano para roubar 70 mil euros ao rapaz, que recentemente tinha recebido como indemnização pela morte da mãe, que foi atropelada em 2016. Depois de o drogarem com diazepam, droga obtida por Mariana, que é enfermeira, mataram Diogo pelo método de asfixia em casa da vítima.

De seguida, cortaram dois dedos do corpo, transportando depois o cadáver para a sua casa, já depois de terem limpado o local do crime.

No próprio dia do crime fizeram transferências bancárias para as suas contas através do telemóvel da vítima, utilizando para isso os dedos que lhe tinham cortado, e que serviram para desbloquear o telemóvel.

Depois, Maria terá ido a um supermercado comprar um cutelo, com o qual mais tarde desmembrou o resto do corpo de Diogo, que foi colocado em vários sacos.

Na apresentação das alegações finais no Tribunal de Portimão, o procurador Miguel Teixeira tinha defendido que “face à prova pericial, documental e testemunhal produzida” em julgamento, as arguidas “têm de ser punidas de forma grave, por um crime que provocou alarme social, com uma pena superior a 20 anos e muito próxima da pena máxima prevista no Código Penal”.

Agora, o juiz foi além do pedido para Maria Malveiro.

Questionado pelos jornalistas à saída do tribunal de Portimão, o advogado João Grade, defensor de Mariana Fonseca, admitiu que “há uma elevadíssima probabilidade” de recorrer da decisão judicial.

Há matéria que dão motivos para recorrer”, apontou o advogado, reiterando “a falta de provas” para uma condenação da sua constituinte.

A advogada Tânia Reis, defensora de Maria Malveiro, escusou-se a comentar o acórdão que determinou a condenação da sua cliente à pena máxima em cúmulo jurídico de 25 anos de prisão.

Marisa Rodrigues / Notícia atualizada às 20:54