Um homem acusado de matar à facada o seu namorado em 2018, no Porto, remeteu-se esta segunda-feira ao silêncio no início do seu julgamento.

Também na primeira sessão do julgamento, no tribunal criminal de São João Novo, no Porto, o inspetor da Polícia Judiciária (PJ) que liderou a investigação, Joaquim Gomes, disse que encontrou em casa da vítima, num segundo andar da Rua de Fernandes Tomás, "sinais" de violência.

Luta pode não ter havido, pode ter sido uma agressão", afirmou.

O inspetor da PJ acrescentou que no corredor encontrou "manchas hepáticas" correspondentes à vítima, enquanto a faca estava no primeiro patamar do lanço de escadas.

Já a irmã da vítima, Daniela Ribeiro, disse que sabia existir uma relação amorosa entre a vítima e o arguido, desde o tempo em que os dois estudavam em Viseu.

Ambos foram para o Porto e continuaram a viver juntos, acabando por separar-se.

Houve uma rutura", disse Daniela Ribeiro, afirmando que a relação era "tóxica" porque o namorado era uma pessoa "obcecada" e "controladora".

Antes do crime, afirmou, o arguido já tinha ameaçado a vítima.

Um despacho de acusação do DIAP do Porto concluiu que a vítima, um estudante de 20 anos, foi encontrada morta no centro daquela cidade, na madrugada de 18 de julho de 2018, depois de ser esfaqueada por ciúmes, atribuindo o crime ao seu ex-namorado, de 29.

Ainda segundo o despacho do DIAP, o arguido agrediu um amigo comum por suspeitar que os dois teriam um envolvimento amoroso, horas antes do homicídio e durante uma deslocação a um bar do Porto, às primeiras horas de 18 de julho.

Já em casa da vítima, na Rua de Fernandes Tomás, quando seria suposto que tudo estivesse mais calmo, arguido e vítima envolveram-se em discussão.

Fizeram-no por motivos "relacionados com os ciúmes demonstrados pelo arguido", que acabou expulso da casa e reagiu mal, atingido o peito da vítima com golpes de faca, provocando-lhe lesões em várias partes do corpo, relata a acusação.

A vítima foi encontrada sem vida, já alta madrugada, eram 05:30, em plena faixa de rodagem da Rua de Fernandes Tomás.

Por essa hora, o arguido estava já noutro local central do Porto, a Avenida dos Aliados, com amigos comuns, a quem "deu a entender" que o ex-namorado o tentara agredir à facada, mas ocultando o crime que praticara.

Arguido e vítima tinham vivido em união de facto durante dois anos.

O arguido está acusado por homicídio qualificado, punível com pena de cadeia entre 12 e 25 anos, nos termos do artigo 132.º do Código Penal, encontrando-se atualmente preso preventivamente à ordem do processo.

Os pais da vítima mortal reclamam uma indemnização de 182.755 euros.