Um polícia foi detido e outro foi constituído arguido, nesta quarta-feira, no decorrer de uma megaoperação da PSP em Lisboa, Setúbal e Beja, no âmbito da "Operação Dupla Face".

No total foram realizadas, desde a madrugada, quatro detenções, indica o Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis). Na operação, que teve início cerca das 04:30 participaram perto de 150 polícias.

Inicialmente, a PSP indicou que dois agentes tinham sido detidos, mas fonte do Comando disse à TVI que apenas um foi detido, tendo o outro sido constituído arguido.

Os dois agentes em causa são do Cometlis e um deles foi detido no local de trabalho, "durante a sua prestação de serviço", indicou o comissário Bruno Pereira, em declarações aos jornalistas em conferência de imprensa.

Foram, ainda, conduzidas 22 buscas domiciliárias e 28 buscas não domiciliárias, cumpridos dois mandados de detenção e "constituídos mais de uma dezena de arguidos", além de diversas apreensões, como uma caçadeira de canos longos e uma pistola de calibre 6.35, bem como “vários outros bens e documentação relacionados com a atividade”.

Os quatro detidos têm entre 31 e 48 anos e vão ser presentes, na quinta-feira, no Tribunal Central de Instrução Criminal, para primeiro interrogatório judicial, informou o representante do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, acrescentando que os arguidos ficam a aguardar a continuidade da investigação.

A "Operação Dupla Face" investiga um grupo criminoso e violento, que operava em várias zonas do território nacional, particularmente na área metropolitana de Lisboa, constituído por vários suspeitos, entre eles dois polícias, dedicando-se a uma série de atividades criminosas altamente lucrativas.

Entre os vários crimes praticados pelos suspeitos estão associação criminosa, corrupção, favorecimento pessoal praticado por funcionário, extorsão, coação, detenção de armas proibida e tráfico de estupefacientes, "sobretudo haxixe".

Um dos elementos deste grupo criminoso encontra-se em prisão preventiva desde novembro, pela prática do crime de homicídio na forma tentada, no âmbito de um inquérito autónomo.

A investigação começou há cerca de um ano e é dirigida pela Divisão de Investigação Criminal de Lisboa, sob a direção do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

 
  
Catarina Machado