A Associação Nacional de Diretores defendeu, neste sábado, que os rankings devem ser “confinados ao seu lugar relativo”, sublinhando que a avaliação das escolas não deve ser feita apenas através das notas nos exames nacionais.

No dia em que voltam a ser divulgadas listas e análises sobre os resultados académicos dos alunos e em que as escolas voltam a ser ordenadas tendo em conta médias nos exames e taxas de sucesso académico, os diretores escolares criticam que a avaliação das escolas se resuma a olhar para as notas no final do ano.

Cada vez mais devemos confinar os rankings ao seu lugar relativo”, afirmou o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Agrupadas (ANDAEP), Filinto Lima, em declarações à Lusa.

Para o representante dos diretores, o ranking que ordena as escolas tendo em conta apenas as classificações dos seus alunos nos exames nacionais “não é um ranking que avalia as escolas”.

Filinto Lima considerou que existem outros instrumentos que conseguem avaliar melhor o trabalho realizado nas escolas, como é o caso dos Percursos Diretos de Sucesso, um parâmetro criado pelo Ministério da Educação também com base nas notas dos alunos.

Os percursos diretos de sucesso mostram os alunos que conseguem terminar um ciclo de ensino – o 3.º ciclo ou o secundário – sem nunca reprovar e que têm nota positiva nos exames nacionais.

Além disso, a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) disponibiliza uma ferramenta em que compara o percurso dos alunos da uma determinada escola com todos os estudantes do país que, anteriormente, tinham um desempenho escolar semelhante.

Por exemplo, para perceber como foi o desempenho dos alunos que terminam o secundário numa escola, a DGEEC compara-os com todos os alunos do país que, três anos antes, tiveram resultados semelhantes nas provas nacionais do 9.º ano. Através desta análise percebe-se se a escola conseguiu fazer um trabalho melhor do que era expectável.

Nestes rankings dos percursos diretos de sucesso, as escolas públicas acabam por se destacar, havendo mais casos de superação.

Filinto Lima lembrou ainda outra ferramenta: a Avaliação Externa das Escolas, que se realiza de cinco em cinco anos e que conta com várias formas de análise, desde entrevistas a inquéritos, que permitem uma “avaliação justa”.

“Mentira” para alimentar ensino privado

A Federação Nacional de Professores (Fenprof) considera os rankings das escolas uma “mentira de periodicidade anual” que se destina a “alimentar o negócio na educação, através da promoção do ensino privado”.

Sobre esses rankings, a Fenprof nada tem a acrescentar ao que sempre afirmou, assinalando, mais uma vez, que, essencialmente, eles se destinam a alimentar o negócio na educação, através da promoção do ensino privado, comparando o incomparável, numa concorrência desleal com o ensino público de que alguns jornais se aproveitam para ir buscar uns milhares de publicidade aos supostamente ‘melhores’ colégios privados”, reagiu, em comunicado.

A estrutura sindical liderada por Mário Nogueira destacou os “professores e professoras que, apesar das difíceis condições de trabalho que existem nas escolas, não baixam os braços e lutam, todos os dias, para que os alunos tenham sucesso, não apenas escolar, mas, principalmente, educativo”.

Sobre as difíceis condições de trabalho, são destacados os horários, dimensão das turmas, falta de apoios adequados para os alunos, entre outras, a que este ano se juntou o ensino a distância, que exigiu esforços ainda maiores, sem que a tutela estivesse à altura do que se exigiu aos profissionais, acrescenta.

São estes professores e professoras que, num país que mantém um elevadíssimo índice de pobreza, neste momento agravado pelas razões que se conhecem, e que se tem confrontado com políticas educativas adversas à boa organização e funcionamento das escolas, têm conseguido aumentar as taxas de sucesso escolar, reduzido o abandono e desenvolvido projetos que vão ao encontro das necessidades dos alunos”, sublinha.

Para a Fenprof, estes professores mantêm-se mantêm no topo do ranking de confiança dos portugueses mas continuam a ser “desrespeitados”.

Continuam a ser desrespeitados por um Governo que lhes apaga anos de vida profissional, impede uma aposentação justa e faz vista grossa ao envelhecimento da profissão, que abusa da precariedade laboral e que sobrecarrega os tempos de trabalho, impondo horários que lhes extremam o desgaste físico, psíquico e psicológico”, conclui o comunicado.

Pais também criticam rankings

Os encarregados de educação consideram que os rankings das escolas devem ser “relativizados”, alertando que demonstram a necessidade de alterar a forma de acesso ao ensino superior, que continua dependente dos exames nacionais.

O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Jorge Ascenção, defendeu que “é muito relativa a importância dos rankings” das escolas, que hoje são divulgados pela comunicação social, com base em dados do Ministério da Educação (ME) sobre os resultados nos exames nacionais de 2018/2019.

Estes rankings não avaliam realmente as escolas, avaliam, sim, o resultado dos alunos nos exames, que são fortemente condicionados”, criticou Jorge Ascenção, considerando por isso que “devem ser muito relativizados”.

Além disso, para o representante dos pais e encarregados de educação os rankings tornam a mostrar o impacto dos exames nacionais no acesso ao ensino superior.

Jorge Ascenção voltou a defender que “é preciso alterar o atual paradigma de acesso ao ensino superior”, que não pode estar dependente apenas do que um aluno consegue mostrar durante uma prova de duas horas.

Para os pais, o importante não é conhecer quais as avaliações dos alunos, mas, sim, a qualidade do ensino das diferentes escolas.

/ CM