Vinte escolas inflacionaram as notas dos alunos do Secundário no ano de 2019, segundo uma análise da Lusa a dados do Ministério da Educação que avaliam as notas dos últimos anos e mostram que esta prática é mais habitual entre colégios.

Desde o ano letivo de 2014/2015 que 20 escolas secundárias dão sempre notas mais altas do que deveriam, revelam dados do Ministério da Educação (ME) numa análise que compara as notas dos alunos pelo trabalho desenvolvido ao longo do ano em sala de aula e os resultados obtidos nos exames nacionais.

Para identificar as escolas que estão a dar notas acima do espetável, o Ministério compara as classificações internas atribuídas pela escola com as notas atribuídas por todas as outras escolas do país a alunos que tiveram resultados semelhantes nos exames nacionais.

Uma vez que este procedimento pode permitir a um aluno passar à frente no acesso ao ensino superior, desde 2019, os inspetores da Inspeção-Geral da Educação e Ciência GEC instauraram duas dezenas de inquéritos por terem sido detetadas escolas com uma concentração “de um conjunto de classificações anormalmente elevadas”, revelou o ME.

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Este trabalho originou 57 processos disciplinares, dos quais cerca de duas dezenas estão em fase de conclusão, estando os restantes a correr os seus termos, segundo informações avançadas à Lusa pelo ME que acrescentou que esse mês  a IGEC iniciou um conjunto de inspeções a cem escolas secundárias.

Os dados divulgados pelo ME mostram que em relação ao ano anterior houve um aumento de dois estabelecimentos de ensino a inflacionar as notas, passando de 18 para 20.

A lista elaborada pela Lusa mostra que inflacionar as notas continua a ser uma prática mais habitual entre os privados, já que dos 20 estabelecimentos de ensino, 15 são particulares.

Habitualmente, os alunos têm piores desempenhos quando chegam às provas. No ano passado, segundo uma análise da Lusa, registou-se uma diferença média de cerca de três valores numa escola de zero a 20.

No ano passado, a média dos mais de 25 mil exames realizados pelos alunos dos colégios foi de 12,69 valores enquanto a nota interna dada pelos professores foi de 15,15 valores.

Nas escolas públicas, a média dos quase 200 mil exames foi de 10,95 e a nota interna foi de 13,71 valores.

Mas também existem estabelecimentos de ensino que, invariavelmente, dão notas mais baixas do que os alunos mereceriam tendo em conta as medias nacionais, sendo esta uma prática mais visível entre as escolas públicas.

No ano passado, houve 14 escolas que deflacionaram as notas dos seus alunos, segundo uma análise feita pela Lusa, que revela que são menos dois do que as identificadas no ano anterior.

Escola

Distrito

Colégio das Terras de Santa Maria

Aveiro

Escola Básica e Secundária de Santa Maria da Feira

Aveiro

Colégio "D. Diogo de Sousa"      

Externato "Carvalho Araújo"

Braga

Escola Secundária Alberto Sampaio, Braga

Braga

Associação Cultural e Recreativa de Fornelos

Fafe

Escola Secundária de Fafe

Fafe

Colégio da Rainha Stª Isabel

Coimbra

Externato "Camões"

Gondomar

Colégio Paulo VI de Gondomar

Gondomar

Colégio Novo da Maia

Maia

Colégio D. Duarte

Porto

Colégio "Luso Francês"

Porto

Colégio "Nossa Senhora do Rosário"

Porto

Externato "Ribadouro"

Porto

Colégio INED - Polo II

Porto

Colégio de Amorim

Póvoa de Varzim

Colégio da Trofa

Trofa

Escola Secundária de Monção

Monção

Escola Secundária São Pedro, Vila Real

Vila Real

. / Publicado por António Guimarães