Diversos membros do Governo espanhol receberam ao final da tarde na base aérea de Torrejón, perto de Madrid, o último voo das operações de evacuação realizadas por Espanha no Afeganistão, com os últimos 85 afegãos retirados, além de quatro militares portugueses.

Da lista de 195 passageiros faziam parte os quatro militares portugueses que estiveram em operações de evacuação em Cabul e os últimos 85 afegãos retirados por Espanha, sendo 19 destes afetos ao contingente português.

O voo, que aterrou pelas 19:20 [18:20 em Lisboa] na base aérea de Torrejón, nas imediações de Madrid, foi recebido na pista pelo líder do Governo espanhol, Pedro Sánchez, noticia a agência EFE.

O governante compareceu também esta sexta-feira perante os jornalistas para agradecer o trabalho dos funcionários públicos espanhóis que arriscaram a vida para assegurarem a retirada de afegãos em perigo num país que caiu no caos e violência desde a chegada ao poder dos talibãs.

Junto de Pedro Sánchez, estiveram também presentes na base de Torrejón vários ministros, como os responsáveis pelos Negócios Estrangeiros, Defesa e Interior, José Manuel Albares, Margarita Robles e Fernando Grande Marlaska, respetivamente.

Neste último voo, onde regressou o embaixador espanhol, Gabriel Ferrán, viajaram outros três diplomatas, 20 polícias e 82 militares espanhóis.

Dos 85 afegãos retirados, 50 são do contingente da NATO, 19 de Portugal e 16 de Espanha.

A operação de evacuação espanhola, que teve como base Torrejón, conseguiu em 17 voos, 11 fretados por Espanha, a saída de 2.206 refugiados afegãos, incluindo os que chegaram neste último voo.

O rei Felipe VI visita no sábado, ao lado de Pedro Sánchez, o acampamento provisório de Torrejón, que continuará a operar durante uma semana até que os afegãos sejam realojados em abrigos do Estado ou noutros países.

Os talibãs conquistaram Cabul em 15 de agosto, concluindo uma ofensiva iniciada em maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e da NATO.

As forças internacionais estavam no país desde 2001, no âmbito da ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra o regime extremista (1996-2001), que acolhia no território o líder da Al-Qaida, Osama bin Laden, principal responsável pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

A tomada da capital pôs fim a uma presença militar estrangeira de 20 anos no Afeganistão, dos Estados Unidos e aliados na NATO, incluindo Portugal.

 Os quatro militares portugueses destacados no apoio à retirada de cidadãos afegãos em Cabul são esperados aeroporto de Figo Maduro, em Lisboa, às 20:25 e serão recebidos pelo ministro da Defesa, João Gomes Cravinho.

/ RL