José Miguel Júdice, sócio fundador da PLMJ, chamou "ladrão" a Rui Pinto na 17.ª sessão do julgamento do processo Football Leaks, no Tribunal Central Criminal de Lisboa.

Ouvido por Skype, o sócio fundador daquela sociedade de advogados referiu que "esse senhor que só posso chamar ladrão, veio furtar com grande violência moral e psicológica a minha privacidade".

"Acho mais grave um ladrão que me entrou no computador do que um que me tivesse entrado em casa", acrescentou.

Por sua vez, Nuno Morais Sarmento foi questionado pela procuradora do Ministério Público sobre o acesso que foi feito à sua conta de email da PLMJ, onde o ex-ministro e advogado diz ter todos os conteúdos profissionais e pessoais, respondendo que sentiu que a sua privacidade foi violada.

“Vejo isto igual ao que veria se entrasse qualquer assaltante em minha casa e ao ser surpreendido por mim me dissesse: olhe estava aqui à procura a ver se havia aqui alguma coisa ilegal. É uma sensação de devassa, violação da nossa privacidade", afirmou.

No início da sessão, em que as duas testemunhas foram ouvidas via Skype, houve algumas dificuldades técnicas na chamada com Nuno Morais Sarmento ao que, em tom de brincadeira, tendo o juiz do coletivo brincado com a situação.

“Que pena não termos aqui ninguém que perceba de informática na sala", afirmou, o que gerou gargalhada geral, incluindo de Rui Pinto.

A sessão desta terça-feira já terminou, prosseguindo na quarta-feira à tarde.

Rui Pinto, de 31 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.

O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 07 de agosto, “devido à sua colaboração” com a Polícia Judiciária (PJ) e ao seu “sentido crítico”, mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.

Inês Pereira / AM