As praias da Costa de Caparica, em Almada, no distrito de Setúbal, vão receber um milhão de metros cúbicos de areia no próximo ano. A revelação foi feita pelo ministro do Ambiente e da Transição Energética.

“Responsabilizei-me hoje por em maio começar o enchimento com areia das praias da Costa de Caparica. Vai ser um milhão de metros cúbicos [de areia], uma empreitada que vai custar aproximadamente cinco milhões de euros, financiada por fundos comunitários”, avançou o ministro em declarações aos jornalistas na praia de São João da Caparica.

João Pedro Matos Fernandes explicou que este é um método de “engenharia natural”, que está a ser implementado em praias “por todo o país”.

Estamos a falar de cerca de 130 milhões de euros que estão a ser investidos, sobretudo com o objetivo de segurar, isto é, enchendo as praias, reconfigurando as dunas, plantando vegetação autóctone, que serve para segurar a areia e proteger do vento ou do avanço do mar. É isso que estamos a fazer pelo país fora e em muitos dos casos em conjunto com as autarquias”.

É o caso da Câmara de Almada que assinou hoje um acordo de cooperação com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), para restaurar o ecossistema dunar da praia de São João da Caparica, a estância balnear do concelho que mais erosão sofreu após as tempestades do último inverno e primavera de 2018.

Para o ministro do Ambiente, o acordo com o município é a “forma certa” do ponto de vista administrativo. “É evidente que a Câmara Municipal de Almada tem muito mais capacidade pela proximidade que tem, para poder fazer estas intervenções. Não temos a mais pequena dúvida de que a câmara o fará de forma mais diligente, próxima e interessada, do que a APA, que tem quase 900 quilómetros da costa portuguesa para gerir. O Estado central, através da APA, financia esta intervenção e fica encantado e agradecido por a câmara fazer a intervenção”, frisou.

Segundo o governante, a recuperação das dunas da praia de São João da Caparica envolve um investimento de “cerca de 60 mil euros”.

Esta praia de Almada tem um paredão de pedra, o que, segundo João Pedro Matos Fernandes, foi um modelo seguido durante muitos anos, mas que “não vai mais ser utilizado”. Quando questionado sobre a possibilidade de ser retirado, o ministro ressalvou que “é preciso muita cautela”.

Se há quem nos prega partidas é mesmo o mar. Estou a olhar exatamente para um peso de esporões e eu direi que não o devemos fazer para já e não sei se algum dia o poderemos fazer, porque atrás destes espaços artificializados estão implementados um conjunto denso de habitações. Fora destas zonas vamos sempre apostar em engenharia natural, dentro destas zonas vamos enchê-las com areias, tentando que esses mesmos esporões nos ajudem a segurá-las”.

Já a presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros (PS), referiu que é “com grande agrado” que estabelece este contrato com a APA, considerando que poderá ser “o primeiro de muitos”, no sentido de preservar a costa do concelho. Para Inês de Medeiros, é, também, uma “grande alegria” saber que as praias de Almada vão contar com mais areia no próximo ano.