O índice de transmissibilidade (Rt) regista-se em 1,11, revelou esta sexta-feira o epidemiologista do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, Baltazar Nunes. A uma média diária esse valor está em 1,07, mas o especialista admite que também esse número aponta para uma fase ascendente da pandemia.

Olhando para a situação por regiões, é possível concluir que Lisboa e Vale do Tejo, Centro e Alentejo têm uma transmissibilidade acima de 1, ao contrário de Norte e Algarve.

Na sua intervenção na reunião de peritos no Infarmed, em Lisboa, Baltazar Nunes referiu que a incidência acumulada de novos casos nos últimos 14 dias está num nível baixo a moderado mas com "tendência crescente", uma vez que o R(t) se encontra acima de 1 em todas as regiões do país menos no Norte e no Algarve.

Sobre a incidência, os casos por 100 mil habitantes, mantém-se estável, sempre por volta dos 60 casos por 100 mil habitantes.

As regiões com um crescimento mais acentuado são Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo", referiu.

Salientou que é preciso evitar que esta tendência crescente continue a verificar-se, projetando que se continuar nas próximas semanas, poderá atingir-se "em um a dois meses" uma incidência acumulada a 14 dias acima dos 120 casos por 100.000 habitantes.

No caso de Lisboa e Alentejo, com Rt de 1,14 e 1,16, respetivamente, esse limiar poderá ser atingido mais cedo, num período entre duas semanas a um mês.

Para Baltazar Nunes, a estratificação dos dados e dos novos casos é prova da eficácia das vacinas, nomeadamente entre os mais idosos.

Citando dados de um estudo feito pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde e Direção-Geral da Saúde, apontou que nas pessoas com 80 anos ou mais vacinadas com vacinas de base mRna (Pfizer e Moderna), a efetividade contra infeção sintomática é de cerca de 80 por cento e efetividade contra infeção, sintomática ou não, é de 75 por cento.

Baltazar Nunes indicou que o grupo etário acima dos 80 "não costuma entrar nos ensaios clínicos" e salientou que se trata de "valores bastante bons", em linha com os verificados em outros estudos feitos no Reino Unido.

O epidemiologista e matemático afirmou que Portugal é dos países europeus com "mais baixas reduções de mobilidade, mantendo níveis de incidência baixos", com índices de confinamento "ao nível de agosto de 2020", quase iguais ao que se verificava antes da pandemia.

Para compensar o aumento dos contactos entre as pessoas e da transmissibilidade, é preciso aumentar a testagem, redução de número de contactos fora das "bolhas" familiares, manutenção de medidas preventivas nos locais de trabalho e escolas, aumento da cobertura da vacina e aumento das mensagens dirigidas à população centradas na necessidade de manter a prevenção.

António Guimarães