Cerca de 80 trabalhadores do Arquivo Municipal de Lisboa concentraram-se, esta quinta-feira, junto às instalações do bairro da Liberdade, para reivindicaram um edifício com melhores condições de trabalho, de modo a salvaguardar o património.

“Este espaço não foi feito para um equipamento com estas características, chove como na rua, há filmes de colegas em que se ouve a água a correr como se fossem cascatas”, salientou à agência Lusa Vitória Pinheiro, do Serviço Educativo do Arquivo Municipal de Lisboa, uma das 80 que fez greve por melhores condições de trabalho.

A lutar por um edifício com melhores condições de trabalho e que reúna os quatro espaços que o Arquivo Municipal tem atualmente espalhados pela cidade, Vitória Pinheiro anotou que há muitos trabalhadores que têm de tirar água das salas e cerca de 20 trabalham sem acesso à luz solar.

Disseram-nos que isto era um espaço provisório. No entanto, já estamos aqui desde 2004. A solução que nos apontaram era regressar para um local que é o Alto da Eira, numas torres de habitação social, onde o Arquivo teve de sair em 2002”, referiu a trabalhadora.

O Arquivo Municipal de Lisboa, que tem cerca de 150 trabalhadores, encontra-se fisicamente dividido em quatro equipamentos: no bairro da Liberdade (Campolide), bairro do Arco do Cego, Rua da Palma (o arquivo fotográfico) e em Alcântara (a videoteca).

Para Vitória Pinheiro, deve olhar-se para o problema com respeito, considerando que regressar ao Alto da Eira não é a melhor solução para aquele que considerado o segundo maior arquivo do país e o primeiro Arquivo Municipal do país, com documentação de “cerca de 26 quilómetros” em linha reta.

Tem de se olhar para esta questão com respeito, porque não é regressar a um sítio que em 2002 foi considerado um local insalubre. Têm atirado areia para os olhos das pessoas”, realçou.

Por sua vez, a técnica superior de história, Sandra Pires, defendeu que, no estado em que funciona, o Arquivo Municipal não tem condições para assegurar a preservação da documentação.

Dão-nos arquivos particulares que nós não estamos a conseguir preservar nas devidas condições, porque não temos condições para isso, nem, aqui, no bairro da Liberdade, nem no Arco do Cego”, indicou, acrescentando que “chove dentro” das instalações.

Segundo Sandra Pires, o Arquivo Municipal de Lisboa tem documentação de todo o país e das ex-colónias que se está a perder.

“Não temos só documentação da cidade de Lisboa… Alguma dela é documentação única que não existe em mais lado nenhum e está a perder-se”, precisou, adiantando que “não há vontade política” para resolver a questão.

Os trabalhadores do Arquivo Municipal de Lisboa estiveram concentrados em protesto, entre as 10:00 e as 12:00.

Presente no protesto, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML), Vítor Reis, fez saber que estão em causa as condições de trabalho, saúde e segurança.

“[Lutamos] para a construção de edifício único e não como tem acontecido, pela Câmara Municipal e vários executivos, em arranjar soluções provisórias, em armazéns, em garagens”, explicou à Lusa o dirigente sindical.

Vítor Reis acrescentou ainda que a vereadora da Cultura na Câmara de Lisboa, Catarina Vaz Pinto (PS) tem apontando várias opções, quando reúne com o sindicato, mas não há soluções.

Há um mês, Catarina Vaz dizia esperar anunciar o local definitivo para o Arquivo Municipal de Lisboa no primeiro semestre do próximo ano.

A autarca falou numa reunião da Comissão Permanente de Cultura da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), destinada a ouvir os subscritores da petição “Por um edifício digno para Arquivo Municipal de Lisboa”, assim como a vereadora responsável por aquele pelouro.