Dezenas de pessoas realizaram esta quarta-feira duas vigílias pelo hacker Rui Pinto, que se encontra em prisão preventiva há 10 meses, na sequência do caso "Football Leaks".

Junto à sede da Polícia Judiciária, em Lisboa, e à Câmara Municipal do Porto, vários cidadãos juntaram-se para apelar à criação do estatuto de denunciante. Também esta quarta-feira, a ministra da Justiça afirmou que é intenção do Governo transpor esse estatuto para legislação nacional ainda este ano.

O movimento foi organizado de forma espontânea, através de uma página no Facebook, na sequência da confirmação de que o pirata informático foi o denunciante do "Luanda Leaks".

Ao todo, cerca de 30 pessoas juntaram-se nos dois locais.

A vigília à porta do Estabelecimento Prisional anexo à Polícia Judiciária, em Lisboa, foi promovida pelo Movimento Mais Cidadania e juntou cerca de duas dezenas de pessoas, que empunhavam fotografias de Rui Pinto e acenderam velas, encontrando-se entre elas a dar apoio à causa a psicóloga e comentadora Joana Amaral Dias.

A antiga política disse que a concentração destina-se a exigir ao Estado português que aplique a 4.ª diretiva que diz respeito ao branqueamento de capitais e que determina que todos os estados-membros da União Europeia protejam todas as pessoas que fazem denúncias desse tipo de crimes, “coisa que efetivamente Rui Pinto fez e não está a ser protegido, porque está detido [preventivamente] ao contrário de estar a ser defendido”.

Temos os ladrões à solta e aqueles que são os denunciantes estão presos. Isto existe porque a justiça não fez o seu papel, a justiça não fez o seu caminho. Esta situação do saque, do esbulho ao povo angolano é conhecida há muito tempo, foi denunciada por muitas pessoas, desde o Rafael Marques, a muitas outras, e a justiça fez alguma coisa. Se era assim tão falado porque é que não avançou, quando o próprio Rui Pinto terá feito denúncias ao Ministério Público sobre esta matéria que não foram ouvidas nem atendidas?”, questionou, em declarações à agência Lusa.

Joana Amaral Dias considerou que, “entre o vazio legal que não protege o denunciante e uma justiça completamente castrada e refém de outros interesses, não havia qualquer outra possibilidade que restasse ao Rui Pinto senão cometer este ato de cidadania”.

Rui Pinto vai a julgamento acusado de 90 crimes, anunciou esta sexta-feira a juíza Cláudia Pina, que liderou a fase de instrução do processo. A magistrada deixou cair da acusação 57 crimes mas mantém o arguido em prisão preventiva.

O hacker está acusado de seis crimes de acesso ilegítimo, um de sabotagem, 14 de violação de correspondência, 68 de acesso indevido e um de extorsão. 


 

/ AG