A Alemanha vai proibir todas as viagens a cinco países até 17 de fevereiro. Segundo o diário Deutsche Welle, a restrição entra em vigor este sábado e aplica-se a Portugal, Reino Unido, África do Sul, Irlanda e Brasil.

A base para esta decisão do governo germânico é o elevado nível de contágios relacionados com as novas variantes, que foram identificadas precisamente no Reino Unido, África do Sul e Brasil, podendo ser até 70% mais contagiosas.

A confirmação foi dada pelo ministro do Interior, numa nota que é citada pelo jornal Bild: "A dinâmica de propagação das novas variantes é particularmente preocupante nestes países".

Esta hipótese já tinha sido colocada pelo ministro numa reunião com os seus homólogos da União Europeia, com o objetivo de "proteger a população" alemã.

Horst Seehofer terá mesmo afirmado, segundo a agência Reuters, que esta decisão iria para a frente mesmo que os restantes governos não concordassem.

Não podemos esperar uma solução europeia que vá de encontro às nossas expectativas em breve, então temos de nos preparar para medidas nacionais", disse.

As restrições incluem, porém, várias exceções, nomeadamente para os alemães que vivam nos países a que diz respeito a nova decisão e para os residentes portugueses, britânicos, irlandeses, brasileiros e sul-africanos que morem na Alemanha, bem como os passageiros em trânsito ou ainda a circulação de mercadorias.

Entre as exceções figuram ainda os transportes por razões de saúde.

Quinta-feira, o Governo de Portugal proibiu a saída de portugueses do país, ficando interditadas deslocações para fora do território continental, efetuadas por qualquer via, designadamente rodoviária, ferroviária, aérea, fluvial ou marítima.

O decreto nesse sentido foi publicado no Diário da República que regulamenta o estado de emergência em Portugal.

Em Berlim, o governo alemão indicou que impôs a proibição por sua própria iniciativa, independentemente da dos seus parceiros da União Europeia, que ainda não chegaram a acordo sobre uma abordagem uniforme sobre a questão.

Também quinta-feira, o ministro do Interior alemão, Horst Seehofer, indicou ser intenção de Berlim reduzir “ao mínimo” o tráfego aéreo internacional com destino à Alemanha face ao avanço da pandemia do novo coronavírus, tal como fez Israel.

Há vários meses que a entrada na Alemanha se tornou cada vez mais complicada para cerca de 160 países do mundo, em particular com a obrigação de apresentar um teste negativo feito menos de 48 horas antes ou logo após a chegada, seguido por “uma quarentena dissuasiva de 10 dias”.

No entanto, na maioria dos casos poderá ser encurtado para cinco dias após um segundo teste negativo.

Para os países mais afetados pela pandemia, especialmente aqueles onde as diferentes variantes do novo coronavírus estão em circulação, as pessoas foram obrigadas a apresentar um teste negativo antes de entrar na Alemanha, causando, por exemplo, grandes engarrafamentos no início da semana junto à fronteira alemã com a República Checa.

António Guimarães / com Lusa