Os reis de Espanha iniciaram esta terça-feira o segundo dia da estada em Portugal pelas 10:50, com uma visita ao Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC), onde receberam um violino feito em fibra de carbono. 

O violino em causa, um produto da IDEIA.M, empresa âncora do UPTEC, é construído “em fibra de carbono, usada na aeronáutica e na Fórmula 1”.

Segundo Júlio Martins, da empresa IDEIA.M, “além de um baixo peso”, o instrumento musical “tem maior estabilidade”.

A fibra de carbono, disse, “mantém o instrumento afinado durante mais tempo”.

O UPTEC, que promove a criação de empresas de base tecnológica, científica e criativa, e atrai centros de inovação de empresas nacionais e internacionais, iniciou a sua atividade em 2007, tendo já apoiado desde a sua criação o desenvolvimento de mais de 420 projetos empresariais.

A visita ao UPTEC foi sugerida pelo presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, que se congratulou hoje aos jornalistas com a “decisão adequada” do Presidente da República em dar a conhecer aos reis outros locais além de Lisboa.

A vinda ao Porto é sempre um facto notável”, sustentou Moreira.

Sobre este ponto da visita dos reis, o autarca do Porto considerou “importante ligar os centros de investigação e também a UPTEC, por causa das novas empresas e novas oportunidades”.

Questionado se este momento é uma tentativa de o Porto cidade da ciência captar novos investimentos, Moreira disse que “sim” e que se for “investimento espanhol será ótimo”, tendo salientado as parcerias já existentes.

Os reis de Espanha visitaram em seguida o Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (I3S), no Porto, para conhecerem a sua atividade e, à chegada, acenaram às cerca de 50 pessoas que estavam à porta.

Felipe VI e Letizia chegaram ao I3S às 11:40, dez minutos depois da hora prevista, e reuniram, de imediato, com o diretor do instituto, Mário Barbosa, e com alguns dos investigadores.

A visita, fechada à comunicação social, incidiu no Laboratório de Biomateriais para Libertação Multi-estágio de Fármacos e Células e no Serviço de Histologia e Microscopia Eletrónica, que terminou às 12:16.

O instituto, inaugurado em maio deste ano, é um centro de investigação científica básica e aplicada na área da saúde, tendo como linhas de investigação o cancro, a interação e resposta ao hospedeiro, a neurobiologia e doenças neurológicas.

Neste momento, o I3S tem 1.032 colaboradores divididos entre investigadores doutorados, equipa técnica laboratorial, estudantes de doutoramento, de mestrado e pré-graduados e serviços técnicos, transversais e clínicos.

Entre estes, conta com 78 investigadores estrangeiros, dos quais 16 são espanhóis.

A instituição tem 50 grupos de investigação e 135 projetos, 100 nacionais e 35 internacionais, e um orçamento anual a rondar os 20 milhões de euros.

O Laboratório de Biomateriais para Libertação Multi-estágio de Fármacos e Células, um dos visitados pelos reis, trabalha no desenvolvimento de biomateriais para a regeneração de tecidos, assim como no diagnóstico e tratamento de cancro.

É composto por uma equipa multidisciplinar com cerca de 50 investigadores de várias nacionalidades e de diversas áreas do conhecimento.

Já o serviço de Histologia e Microscopia Eletrónica dedica-se ao apoio e realização de trabalhos científicos de uma forma abrangente, em benefício do coletivo.

Esta plataforma científica fornece equipamentos e suporte técnico-científico aos investigadores da instituição, universidades e empresas nacionais e internacionais.

Filipe VI e Letizia, que na segunda-feira iniciaram no Porto uma visita de Estado de três dias a Portugal, deslocam-se esta tarde para Lisboa, sendo recebidos nos Paços de Concelho da capital.

O primeiro-ministro, António Costa, oferece depois um jantar aos monarcas no Palácio das Necessidades.

Na quarta-feira, os reis de Espanha vão ser recebidos na Assembleia da República, para uma sessão solene realizada a propósito da visita e na qual Filipe VI discursará.

Em democracia, oito chefes de Estado estrangeiros discursaram na Assembleia da República, um dos quais o pai de Filipe VI, o rei Juan Carlos, em 2000.

Os monarcas seguem depois para a residência do embaixador de Espanha em Lisboa, no Palácio de Palhavã, na Praça de Espanha, para uma receção com a comunidade espanhola residente em Portugal.

A visita termina com a deslocação de Filipe VI e Letizia à Fundação Champalimaud.

Reitor da Universidade do Porto destaca "excelente cooperação" com congéneres espanholas

O reitor da Universidade do Porto, Sebastião Feio de Azevedo, destacou, durante a receção aos reis de Espanha, no Parque de Ciência e Tecnologia, a “excelente e importante colaboração” que a instituição mantém com várias universidades espanholas.

Nos últimos cinco anos, recebemos uma média anual de 45 espanhóis, estudantes de grau ou de pós-graduação, mais de 250 estudantes de mobilidade e temos uma média anual de mais de 200 estudantes portugueses que escolhem Espanha para estudar”, disse o reitor.

Feyo de Azevedo salientou a colaboração “intensa” com as universidades da Galiza, das Astúrias e de Castela e Leão, no quadro de “uma importante cooperação regional. Falamos de 22 universidades. Colaboramos mais particularmente com universidades da Galiza no âmbito do centro de estudos eurorregionais Galiza/Norte de Portugal”.

“Temos um notável programa de cooperação com a Universidade de Oviedo, designada Universidade Itinerante do Mar, mantemos um imenso número de projetos de atividades de investigação bilateral, diria, com toda a Espanha. Colaboramos muito de perto com a conferência de reitores das universidades espanholas”, sublinhou.

A Universidade do Porto é “uma instituição totalmente comprometida com a colaboração e com a cooperação internacional, cobre todas as áreas do conhecimento, com mais de 30 mil estudantes, dos quais mais de 12% são estudantes internacionais oriundos de 170 países”.

Feyo de Azevedo acrescentou que a universidade conta com 49 centros de investigação “com grande intensidade de atividade de cooperação internacional”.

Estão a ser recebidos no Parque Ciência e Tecnologia, o maior de Portugal, de grande dimensão e de grande relevância para a nossa economia. A seguir vão visitar o i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde. São dois centros excecionais”, disse o reitor.

Filipe VI e Letizia saíram do Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC) às 11:38, seguindo para o Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, naquele que é o segundo de três dias de uma visita de Estado a Portugal.

À tarde, os reis de Espanha viajam para Lisboa, sendo recebidos nos Paços de Concelho da capital.

Marcelo diz que no coração de todos portugueses há carinho pelos reis de Espanha

O Presidente da República afastou-se hoje do protocolo para expressar o que lhe ia no coração, sublinhando ser o mesmo “que vai no coração de todos os portugueses, uma admiração e um carinho antigos” pelos reis de Espanha.

No discurso que proferiu no almoço oferecido aos reis de Espanha no Palácio da Bolsa, no Porto, o chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, começou por dizer que “Espanha é um caso especial para Portugal”.

Por isso mesmo, o Presidente da República Portuguesa se afasta da regra geral do protocolo que impõe intervenções escritas para dizer o que lhe vai no coração. E o que vai no coração do Presidente da República Portuguesa é o que vai no coração de todos os portugueses, uma admiração e um carinho antigos por vossas majestades. Testemunhado uma vez mais desta feita no Porto e ontem [segunda-feira] à noite em Guimarães, mas ontem [segunda-feira] e hoje no Porto de uma forma tão calorosa que bem se pode dizer que foi acertada a escolha de iniciar por uma vez uma visita de Estado pelo Porto”, afirmou o Presidente da República.

Redação / STS/Atualizada às 13:30