O Infarmed garante que há vacinas suficientes para o surto de hepatite A. A garantia foi dada à TVI24 pela Autoridade Nacional do Medicamento que se reuniu, na quarta-feira, com os dois fabricantes da vacina em Portugal.

O Infarmed explicou ainda que os utentes que cheguem às farmácias com a receita e esta ali não esteja disponível, as farmácias têm instruções para contactar diretamente o fabricante e obter o medicamento no intervalo de horas.

Contactado também pela TVI24, o GAT, Grupo de Ativistas em Tratamentos, confirmou que está a verificar-se uma rutura de vacinas nas farmácias.

Face à garantia dada pelo Infarmed, o GAT lembra que a vacina deve ser administrada o mais rapidamente possível porque leva um mês a fazer efeito.

Na quarta-feira, na sequência do recente aumento do número de casos de hepatite A notificados na Europa e em Portugal, a Direção Geral da Saúde (DGS) emitiu uma orientação para os profissionais de saúde.

Como se transmite a Hepatite A

Diogo Medina, médico de saúde pública do GAT, explicou à TVI24 que esta doença viral se transmite de duas formas: através do consumo de água e alimentos contaminados "quando viajamos para países mais exóticos" e através de relações sexuais.

Na Europa, dado que o saneamento é melhor, a via de transmissão é sexual, sobretudo pela prática de sexo oroanal", explicou.

Diogo Medina explicou ainda que estas duas vias de contaminação previnem-se de forma diferente, apesar da vacinação ser comum às duas vias.

Em relação à viagem é beber só água engarrafada, comer só alimentos cozinhados e não crus. Na via sexual, devemos promover a higiene antes da relação sexual: promover o banho e a lavagem dos genitais".

O especialista explicou ainda que homens que têm relações com homens estão mais expostos ao risco de transmitir esta doença viral.

115 casos em Portugal

Nesta orientação, a DGS explica que de 1 de janeiro a 29 de março de 2017 foram notificados 115 casos de hepatite A (dos quais, 107 confirmados laboratorialmente) e que 58 doentes foram hospitalizados. Lembra ainda a DGS que do total de casos, 97% são adultos jovens do sexo masculino, principalmente residentes na área de Lisboa e Vale do Tejo (78 casos).

Nas amostras clínicas correspondentes a 55 doentes, a análise do vírus identificou uma estirpe relacionada com viajantes que regressaram da América Central e do Sul, também identificada em Espanha, no Reino Unido, e em outros países europeus.

“Num caso importado foi demonstrada a estirpe associada ao cluster (…) relacionado com um festival de Verão na Holanda e um surto em Taiwan”, explica a DGS.

A infeção por VHA pode ser assintomática, subclínica ou provocar doença aguda, associada a febre, mal-estar, icterícia, colúria, astenia, anorexia, náuseas, vómitos e dor abdominal.

A gravidade da doença aumenta com a idade sobretudo em pessoas que tenham subjacente doença hepática crónica cirrose ou hepatite B ou C crónicas. A hepatite fulminante com insuficiência hepática é rara, ocorrendo em menos de 1% dos casos.

Segundo a DGS, a letalidade é de 0,3-0,6% (aumenta com a idade e atinge 1,8% em doentes com mais de 50 anos). A infeção não evolui para a cronicidade e provoca imunidade para toda a vida.

A vacina contra o vírus da hepatite A não consta do Programa Nacional de Vacinação e, segundo a subdiretora geral da saúde Graça Freitas, tem de ser prescrita por um médico. Em Portugal a vacina é prescrita geralmente no âmbito das consultas do viajante.