Em conferência de imprensa, o Governo avançou esta segunda-feira que 853 profissionais de saúde estão infetados com a Covid-19, num momento em que Portugal registou um aumento de mortos causados pala Covid-19, tendo o número ascendendo para 140 e o número de casos confirmados subido para 6.408.

Não sei se são 7 ou mais ou menos, mas sabemos que o universo é de cerca de 200 pessoas”, disse Graça Freitas antes de ser corrigida pelo Secretário de Estado da Saúde. A diretora admitiu que o erro se deveu a uma contabilização exclusiva dos casos infetados em médicos.

Lacerda Sales avançou que no universo dos profissionais de saúde infetados há 209 médicos, 177 enfermeiros e 467 trabalhadores dispersos em serviços.

A possibilidade da coordenação de esforços para que exista hospitais especificamente focados em tratar doentes com a Covid-19 é uma possibilidade para Graça Freitas que admite que esse cenário faz parte dos planos de contingência.

“Neste momento não está a ser contemplado, mas pode vir a acontecer. Está em cima da mesa nos planos de contingência, embora não queira dizer que vá ser ativado”, afirma Graça Freitas.

Sobre um possível cordão sanitário no Porto, região que já conta com 3.801 casos confirmados, Graça Freitas explica que a medida está a ser equacionada e "provavelmente será tomada uma decisão hoje nesse sentido”.

A morte de uma criança de 14 anos possivelmente devido a sintomas relacionados com a Covid-19 não foi contabilizada no boletim desta segunda-feira. A DGS explica que tudo aponta num determinado sentido, mas é preciso ter muita cautela".

"Só quando estivermos certos é que será divulgada a causa da morte. No entanto, e seguindo o critério português, provavelmente vamos inscrevê-la no boletim. Primeiro vamos ter de esperar a verdadeira causa da morte, depois, vamos decidir neste caso concreto se vamos introduzir no boletim”, afirmou Graça Freitas.

António Lacerda Sales avançou que Portugal vai ter acesso a um reforço na capacidade de ventilação.

Existe uma encomenda de 500 ventiladores por parte do Estado, dos quais 138 se encontram já na embaixada de Portugal na China para virem na próxima semana", explica o Secretário de Estado.

Nas próximas semanas vão ser testados funcionários e utentes de lares, adiantou António Sales, secretário de Estado da Saúde, reiterando que os idosos são "a população mais exposta a letalidade deste vírus". Uma ideia que foi reforçada por Graça Freitas durante a conferência, sublinhando que os profissionais dos lares serão todos gradualmente testados. Se se identificar alguém positivo, mas assintomático é logo isolado do circuito”, se essa pessoa acusar negativo terá de continuar a trabalhar com materiais de proteção, "na eventualidade de poder acusar um falso negativo".

 

Grávidas infetadas devem ser vigiadas em casa

Nesta conferência de imprensa está também presente Carlos Veríssimo, e membro da direção do Colégio da Especialidade de Ginecologia-Obstetrícia e do Colégio de Competência em Ecografia Obstétrica Diferenciada da Ordem dos Médicos, para explicar o impacto da doença nas grávidas e deixar várias indicações sobre o momento do parto que devem ser seguidas pelas mães e profissionais de saúde.

O responsável afirmou que as grávidas com Covid-19 positivo assintomáticas ou com ligeiras queixas devem preferencialmente ser vigiadas em casa.

Havendo condições para tal devemos manter uma monitorização diária remota [através de teleconsultas] da sua [grávidas] evolução clínica, conseguindo que se evitem deslocações necessárias aos centros de saúde, consultórios ou hospitais”, afirmou Carlos Veríssimo.

De acordo com o especialista, as “grávidas devem seguir os conselhos de higiene e de contenção social recomendados pela DGS e devem manter os cuidados de prevenção, investigação e diagnóstico semelhantes aos da população em geral”.

Carlos Veríssimo reforçou que estas mulheres têm de manter a vigilância recomendada pelos seus médicos incluindo a realização de ecografias e exames laboratoriais.

No caso das grávidas com Covid-19, o parto deve ser feito em salas isoladas e deve manter-se “o menor número possível de intervenientes”, disse, acrescentando que “o acompanhamento por terceiros não é de todo recomendado”.

O médico adiantou também que a analgesia epidural é fortemente recomendada no caso de grávidas com Covid-19, de forma a evitar “ao máximo uma anestesia geral”.

De acordo com os dados avançados pelo médico, há neste momento 60 mil grávidas, prevendo-se sete mil partos por mês, 230 por dia. Podemos “inferir que eventualmente, segundo as taxas de incidência que temos conhecimento, teríamos seis grávidas infetadas sintomáticas, isto é: um a dois partos por cada mil infetados”.

Se tivermos 60 mil grávidas por todo o país, distribuídas pelos três trimestres, teremos cerca de 230 partos por dia. Teríamos seis grávidas infetadas sintomáticas. Temos quatro até agora, é mais ou menos o que se está a passar”.

/ HCL