A ministra de Estado e da Presidência anunciou, esta quinta-feira, que Portugal não vai poder dar um passo em frente no processo de desconfinamento, referindo o agravar da incidência como o parâmetro mais grave.

Portugal encontra-se, neste momento, claramente na zona vermelha da nossa matriz, pelo que não existem condições para prosseguir o plano de desconfinamento que estava previsto", disse Mariana Vieira da Silva, que anunciou desta forma que o país não vai avançar para a segunda fase anteriormente definida pelo Executivo.

A governante referiu os números de incidência de 129,6 casos por 100 mil habitantes a nível continental e o índice de transmissibilidade (Rt) situa-se em 1,18, bem acima dos valores definidos, e que atira Portugal para a zona vermelha da matriz de risco.

Isto significa que, se ao longo de todo o processo de desconfinamento, foi sempre possível permanecer na zona verde ou na zona amarela, neste momento, Portugal tem níveis de incidência preocupantes e não temos condições de avançar", reforçou.

Na última semana, Portugal registou uma aumento de novos casos de covid-19 na ordem dos 34%, um crescimento de internamentos de 30% e cuidados intensivos à volta dos 26%. No entanto, Mariana Vieira da Silva ressalvou que, do ponto de vista do Serviço Nacional de Saúde "ainda estamos longe das linhas vermelhas que tinham sido definidas". 

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A Área Metropolitana de Lisboa, o Alentejo e o Algarve são as regiões que mais preocupam, uma vez que revelam níveis de risco "mais graves". 

País “numa luta contra o tempo entre vacinação e progressão da doença"

A ministra da Presidência disse que o país está “numa luta contra o tempo entre a vacinação e a progressão da doença” de covid-19, quando 720.000 pessoas acima dos 60 anos ainda têm a vacinação incompleta.

Estamos numa luta contra o tempo entre a vacinação e a progressão da doença e isso faz com que seja necessário pedir a todos um esforço suplementar neste momento”, disse.

A ministra sublinhou que o país se encontra, neste momento, “numa situação mais grave e cabe a todos procurar combatê-la”.

É por isso muito importante que este seja um período de controlo da pandemia”, referiu, frisando que a expectativa do Governo, de acordo com as vacinas que estão disponíveis, é que a cada semana 320.000 pessoas completem a vacinação.

Mariana Vieira da Silva recordou os resultados de estudos que mostram que a efetividade das vacinas em relação à variante Delta têm uma boa resposta na vacinação completa, mas não com a primeira dose.

O governo decidiu ainda prolongar a situação de calamidade até às 23:59 do dia 11 de julho. 

António Guimarães Cláudia Évora / com Lusa