O sócio do Benfica Jorge Mattamouros interpôs, esta quinta-feira, uma ação cível contra o presidente do clube por violação dos estatutos, alegando, entre outras coisas, que Luís Filipe Vieira usa dinheiro do clube para a sua empresa.

“O Benfica é um lesado de Luís Filipe Vieira” – este é o mote do advogado Jorge Mattamouros, que vive nos Estados Unidos e tem dupla nacionalidade.

Na ação, entregue ao Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, e a que a TVI teve acesso, este sócio alega que o Benfica está numa “crise institucional profunda”, devido à “decadência moral personificada em Luís Filipe Vieira” e à “instrumentalização do clube para um sem número de práticas ilícitas e eticamente censuráveis que servem os interesses pessoais do presidente, em detrimento dos interesses do clube”.

Sustentando-se nos estatutos do clube, Jorge Mattamouros pretende, com esta ação, que Vieira perca o mandato de presidente. Caso se demita, o jurista promete desistir do processo em tribunal.

A primeira alegação do queixoso diz respeito ao alegado uso de recursos do Benfica para benefícios da Promovalor, de Vieira.

“Luís Filipe Vieira confunde a cada passo negócios pessoais com os dinheiros do clube” e “usa a presidência do Benfica e os recursos do clube para seu benefício pessoal”, resume, alegando que “parte do dinheiro que saía das contas do Benfica” era depois “entregue em numerário a funcionários da Promovalor”.

A TVI apurou que há uma testemunha que corrobora as alegações.

Enumerando factos conhecidos na comissão de inquérito ao Novo Banco e uma investigação do Ministério Público, Jorge Mattamouros conclui que Vieira usou o seu estatuto de presidente do Benfica para na renegociação das dívidas ao Novo Banco. 

“Para o Novo Banco (como para qualquer outro credor), dinheiro do Benfica é igual ao dinheiro da Promovalor. Assim, a liquidação da dívida do Benfica junto do Novo Banco permitiu a Luís Filipe Vieira ter condições mais favoráveis na restruturação da sua dívida pessoal, em relação à qual não pagou um cêntimo nesse período, passando o ónus para os contribuintes.”

Outro exemplo daquilo que diz ser a violação dos estatutos é a OPA lançada ao Benfica, que afirma que foi usada para Vieira acertar contas com o sócio, José António Santos.

Este sócio alega que nem sequer o atual mandato de Vieira é legítimo, “pois tem origem num processo eleitoral repleto de irregularidades, que culminou com fraude no voto eletrónico, enquanto as urnas, por abrir, eram levadas para parte incerta pela calada da noite, por guarda-costas escolhidos a dedo por Luís Filipe Vieira”. Defende, então, que as eleições deviam ser anuladas.

Todas estas alegações, pode ler-se na ação cível, “representam o maior escândalo de abuso de poder no desporto português e de promiscuidade entre o futebol e os mercados financeiros, envergonhando os benfiquistas e causando revolta nos contribuintes”.

Jorge Mattamouros está convencido que estas acusações, que diz estarem fundamentadas em prova documental e testemunhal, vão chegar a julgamento.

Jorge Mattamouros é advogado e sócio do Benfica há 27 anos e é nessa qualidade que avançou com uma ação em tribunal contra Vieira. É cunhado de João Noronha Lopes, o candidato derrotado nas eleições em outubro, mas garante: não é nem vai ser candidato à presidência do clube.

A TVI aguarda uma reação por parte do Benfica.

Inês Pereira