O ministro da Defesa Nacional sustentou esta quarta-feira que a “identidade de defesa europeia” deve ser vista como “um complemento” à NATO e não uma alternativa, afirmando acreditar num “aprofundamento” da relação entre as instituições.

João Gomes Cravinho terminou hoje uma visita oficial à Estónia, onde foi recebido pelo homólogo, Jüri Luik, para debater a cooperação entre os dois países no domínio da ciberdefesa, bem como as prioridades da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia e da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

“Nós estamos em extremos opostos da aliança atlântica, pelo menos no que toca ao continente europeu e, no entanto, temos uma grande convergência em matéria da importância que atribuímos à relação transatlântica”, apontou o ministro, no balanço da sua visita à Estónia.

Para João Gomes Cravinho, “a União Europeia e a identidade europeia de Defesa não deve ser uma alternativa à relação transatlântica, mas sim um complemento”. 

E há muitas matérias onde esse complemento pode ser extremamente importante, por exemplo, em matéria das ameaças híbridas ou ameaças de ciberdefesa em que respostas puramente militares não são suficientes”, sustentou. 

Segundo o ministro da Defesa, no âmbito da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, Portugal vai focar-se nas “possibilidades que existem para o aprofundamento da relação UE-NATO”. 

Gomes Cravinho apontou ainda o campo da ciberdefesa como “uma grande especialidade” da Estónia, acreditando que esta pode ser uma “área de intensificação do relacionamento empresarial entre empresas portuguesas e estónias”. 

Questionado sobre o funcionamento da Academia de Comunicações e Informação da NATO (NCI, sigla em inglês), no Reduto Gomes Freire, em Oeiras, em que uma das áreas de formação é precisamente a ciberdefesa, o ministro revelou que os cursos têm sido feitos ‘online’, devido à pandemia causada pela covid-19.

Em janeiro, numa visita às instalações, Gomes Cravinho previa para setembro o funcionamento pleno da academia, que entretanto se adaptou à situação pandémica, “algo que não é inteiramente satisfatório mas é o possível”. 

O ministro sublinhou ainda a importância desta instituição para a relação com vários países, entre eles a Estónia, acreditando que “logo que a pandemia acabe” a NCI poderá voltar a funcionar a “velocidade de cruzeiro”. 

Na sua visita oficial à Estónia, João Gomes Cravinho foi também recebido pelo Presidente da República do país, Kersti Kaljulaid, e participou como orador principal na sessão de abertura da Conferência Anual do Báltico dedicada à Defesa (ABCD2020).

/ RL