Luís Pina foi condenado a quatro anos de pena efetiva no processo do atropelamento mortal do adepto italiano Marco Ficini junto ao Estádio da Luz, em 2017.

Arguido foi condenado pelo crime de negligência grosseira e absolvido dos restantes. A leitura do acórdão estava marcada para esta sexta-feira. 

Todos os restantes arguidos foram absolvidos. 

O advogado de Luís Pina vai recorrer da pena.

“Há alturas em que um advogado fica satisfeito com os magistrados que tem. Neste momento, independentemente de concordar ou discordar das decisões deste magistrado, tenho de tirar o chapéu porque não se deixou influenciar por interferências ou ruído à volta e condenou por aquilo e só por aquilo que nós, defesa, entendemos que devia ser condenado, independente de virmos a recorrer ou não, e vamos fazê-lo”, disse Melo Alves.

Aos jornalistas, após a leitura do acórdão no Campus de Justiça, o advogado de Luís Pina referiu que irá recorrer pelo facto de a pena “ser ou não efetiva”.

Melo Alves lembrou que o seu cliente vinha acusado de cinco crimes de homicídio e, “se foi apenas condenado por um, por negligência, alguém andou bem mal”, deixando novamente críticas à forma com foi feita a investigação.

Já aquando das alegações finais, em 25 de setembro, Melo Alves referiu que a investigação não devia ter sido realizada pela Polícia Judiciária, voltando hoje a reafirmar o mesmo, salientando que deveria ter sido “uma entidade que tivesse competência para acidentes de viação”, como por exemplo a GNR.

“Podia ser benéfico ou prejudicial para o meu cliente, nós entendemos que seria benéfico”, frisou.

Quanto ao seu cliente, Melo Antunes adiantou que Luís Pina recebeu “com alívio” a sentença, porque era acusado de cinco crimes de homicídio.

Em relação à absolvição do pagamento da indemnização cível, o casuístico referiu que o tribunal “decidiu bem absolver da indemnização pedida”, lamentando, no entanto, que, por uma razão formal, as vítimas não tenham sido ressarcidas dos danos que tiveram, mas que não lhe cabia enquanto advogado da defesa pronunciar-se antes.

Em 2 de março, Ministério Público (MP) pediu a condenação de Luís Pina, no caso do atropelamento mortal do adepto italiano junto ao Estádio da Luz, pelos crimes de homicídio por dolo eventual, omissão de auxílio e ofensas à integridade física.

Durante as alegações finais, a procuradora do MP deixou cair as acusações sobre os restantes 21 arguidos acusados de participação em rixa, dano com violência e omissão de auxílio.

Os factos remontam à madrugada de 22 de abril de 2017, quando Marco Ficini, que pertencia à claque do clube italiano Fiorentina 'O Club Settebello' e era adepto do Sporting, morreu após um atropelamento e fuga junto ao Estádio da Luz, horas antes de um jogo entre o Sporting e o Benfica.

Durante os confrontos e perseguições entre adeptos do Sporting e do Benfica, Luís Pina, de 35 anos e com ligações à claque do Benfica 'No Name Boys' atropelou mortalmente Ficini, “arrastando o corpo por 15 metros”, imobilizando o carro só “depois de ter passado completamente por cima do corpo da vítima”, descreve a acusação, acrescentado que o arguido abandonou o local “sem prestar qualquer auxílio”.

O MP acusou, em outubro de 2017, 22 arguidos (10 adeptos do Benfica com ligações aos ‘No Name Boys’ e 12 adeptos do Sporting da claque ‘Juventude Leonina’) pelo atropelamento mortal de Ficini.

Rita Barão Mendes / com Lusa