Dois corpos estão a ser retirados da carrinha que foi localizada na pedreira de Borba, testemunha o repórter da TVI no local.

A carrinha, que estava submersa e foi localizada na quinta-feira, também foi retirada da pedreira nesta sexta-feira de manhã.

O número de vítimas mortais retiradas da pedreira sobe, assim, para quatro. Há ainda uma pessoa, que seguiria noutra viatura, dada como desaparecida.

O comandante operacional nacional de Proteção Civil, coronel Duarte da Costa, vincou, entretanto, que a retirada dos corpos e de mais duas viaturas é “extremamente importante”, porque reflete o trabalho desenvolvido no local.

Conseguimos hoje fazer a retirada da terceira e da quarta vítimas da zona do sinistro, o que para nós é extremamente importante, pois indica que todo o trabalho que temos estado a fazer na coordenação e prospeção no ‘teatro de operações’ tem produzido os seus resultados”.

Os corpos hoje recuperados são os dos ocupantes de uma viatura submersa no plano de água de uma das pedreiras, a qual se encontrava “encaixada entre dois blocos de pedra, com a estrutura metálica muito deformada”.

O coronel Duarte da Costa explicou aos jornalistas que ainda se procurou resgatar dentro da água da pedreira esta terceira e quarta vítimas do deslizamento de terra e colapso da estrada municipal 255, entre Borba e Vila Viçosa, mas a operação teve de ser alterada.

“Tentou-se fazer o desencarceramento ainda dentro de água, mas, devido ao estado que a viatura apresentava”, com a deformação da estrutura metálica da carrinha de caixa aberta, as duas vítimas estavam encarceradas no interior, referiu.

Por isso, “foi decidido retirar a viatura para uma plataforma seca e, dentro de toda a segurança, fazer as operações de resgate das vítimas já fora de água”. “Foi uma operação complexa, difícil, com algum grau de perigosidade, mas os nossos operacionais estiveram ao mais alto nível e correu tudo bem".

Onde está o outro automóvel?

Questionado pelos jornalistas sobre se a Proteção Civil já sabe a localização da outra viatura automóvel, com um desaparecido, indicada como tendo caído dentro da mesma pedreira, na derrocada da estrada verificada no dia 19 deste mês, o coronel Duarte da Costa defendeu “prudência” e “cautela”.

Eu prefiro dizer que não está localizada porque há muitas estruturas metálicas”. Aquilo que pensávamos que era uma viatura veio apenas a transformar-se numa chapa metálico. Vamos esperar e ter a certeza. Neste momento não tenho mais nenhuma viatura localizada”.

Mas, garantiu, até que seja descoberta “a viatura e a vítima” sobre as quais há informações, as autoridades vão envidar “todos os esforços” para as “poder recuperar”.

Sublinhando que se trata de “um trabalho contínuo”, o comandante operacional nacional de Proteção Civil deixou outra garantia: “Demore o tempo que demorar, nós vamos levá-lo até ao fim, até termos a certeza de que não há mais viaturas e mais vítimas” dentro do poço da pedreira mais profunda, cuja água continua a ser bombeada para o exterior, inclusive com substituição e reforço de bombas.

Em paralelo, vai prosseguir o trabalho de deteção daquilo que “poderão ser todas as estruturas metálicas que tenham uma forma parecida com uma viatura”, através dos equipamentos remotos da Marinha e dos mergulhadores.

Governo acompanha "a par e passo"

O secretário de Estado da Proteção Civil garante que o Governo e o primeiro-ministro estão a acompanhar como devem as operações de socorro, refutando as acusações da líder do CDS-PP, Assunção Cristas, que acusou o Governo de ter como padrão nunca assumir responsabilidades, considerando “estranha” a ausência de membros do executivo socialista em Borba.

O Governo, com o responsável direto da Proteção Civil, aqui está, acompanhando também o primeiro-ministro [António Costa] a par e passo este processo, porque o informo permanentemente do desenrolar dos acontecimentos”.

José Artur Neves lembrou que a sua deslocação de hoje a Borba, no dia em que foram retirados os corpos da terceira e da quarta vítimas mortais, é a segunda que efetua ao ‘teatro de operações’, onde também já tinha estado no dia do acidente, esta “acusação” não corresponde à verdade e não faz “sentido”: “Não é verdade. Eu estive cá desde o primeiro momento, diariamente vou acompanhando este processo complexo, ligando para o presidente da câmara, para todos os operacionais e mesmo o meu gabinete tem estado aqui, em algum tempo, permanentemente, diariamente, portanto, não é verdade”, contrapôs.

O governante defendeu que, através da sua presença, “obviamente” que “todo o Governo” está “presente no ‘teatro de operações’”. E esse acompanhamento é devido, como aliás ele [o primeiro-ministro] o afirmou desde a primeira hora”, sublinhou o secretário de Estado, frisando que tem acompanhado este “trágico” e “dramático” incidente “desde o primeiro momento”.

José Artur Neves elogiou o trabalho dos operacionais e a coordenação dos trabalhos por parte da Autoridade Nacional de Proteção Civil. “A viatura que foi descoberta estava meio enterrada e meio no exterior, em plena água, onde não há visibilidade alguma”.

Agora, “continua” o trabalho centrado na pesquisa da outra viatura que as autoridades pensam estar submersa, com um desaparecido, um homem de 85 anos de Alandroal. “Poderá demorar muito tempo”, avisou, explicando que a operação de drenagem da água “é muito complexa” e não tem permitido evoluir mais do que 70 centímetros por dia, podendo demorar “muitas semanas e até meses”.

Ministério Público faz monitorização

O inquérito do Ministério Público ao acidente está numa fase preliminar, mas inclui uma monitorização constante, revelaram entretanto à agência Lusa fontes ligadas ao processo.

A investigação acompanha em permanência o evoluir da situação, como o resgate hoje dos corpos de mais duas vítimas mortais, que seguiam numa das duas viaturas que foram arrastadas para dentro de uma pedreira no momento do colapso estrada perto daquela cidade alentejana.

19 de novembro, 15:45

O deslizamento de um grande volume de terras na antiga Estrada Municipal 255 entre Borba e Vila Viçosa, no distrito de Évora, provocou a deslocação de uma quantidade significativa de rochas, de blocos de mármore e de terra para o interior de duas pedreiras contíguas no dia 19 de novembro, às 15:45.

O acidente provocou a morte de dois trabalhadores da empresa de extração de mármores de uma das pedreiras, que se encontrava ativa, o maquinista e o auxiliar de uma retroescavadora, cujos corpos foram recuperados a semana passada, e ainda três desaparecidos.

Os corpos de dois dos desaparecidos foram agora recuperados. Os dois homens, cunhados, viajavam numa carrinha de caixa aberta, quando foram arrastados para dentro da outra pedreira contígua, sem atividade e com o poço mais profundo, quando passavam na estrada que ruiu.

Uma outra viatura e um idoso de 85 anos, que também foram arrastados para a pedreira contígua, continuam ainda dados como desaparecidos.

O corpo da segunda vítima mortal foi retirado no sábado à noite e o da primeira no dia seguinte ao colapso da estrada.