Os números são do Eurostat, remontam a 2016 e são preocupantes para Portugal: é nas regiões autónomas dos Açores, da Madeira e no Alentejo que mais se morre de diabetes na União Europeia.

O gabinete de estatísticas da União Europeia fez as contas e, segundo taxas padronizadas, constatou que, em 2016, houve 22 mortes por diabetes em cada 100.000 europeus, mas o número sobe para pelo menos 45 mortes por 100.000 habitantes nas regiões mais afetadas, sendo superior  nos Açores, (74 mortes), na Madeira (com 60) e no Alentejo, com 50 mortes por 100.000 habitantes.

Igual destaque para a mortalidade da diabetes em Chipre, com 64 mortes por 100.000 habitantes, e para duas regiões da República Checa, Moravskoslezsko (57) e Severozápad (54). Também em França e em Espanha há regiões com elevada mortalidade por diabetes: destacam-se a ilha francesa da Reunião (com 55 mortes, dados de 2015) as ilhas Canárias (com 47) e a cidade autónoma de Melilla (45).

Também a Áustria tem duas regiões com elevada mortalidade devido à doença, Burgenland e Niederösterreich. Na Itália, destacam-se pela negativa as regiões da Campânia, Sicília e Calabria, bem como uma zona da Humgria e de Malta.

O gráfico do Eurostat que mostra as regiões da União Europeia com mais mortes por diabetes

Já as taxas mais baixas de mortalidade foram registadas em duas regiões da Roménia, com menos de 6 mortes por diabetes em cada 100.000 habitantes. As taxas de mortalidade inferiores a dez casos por 100.000 habitantes foram registadas em 22 regiões do Reino Unido, cinco regiões da Finlândia, outra da Roménia, e numa zona apenas da Bélgica, Bulgária e Lituânia.

Os dados foram tornados públicos pelo Eurostat no dia 14 de novembro, por ocasião do Dia Mundial da Diabetes, e não são uma surpresa para os especialistas portugueses. “Portugal é o país da União Europeia que tem mais pessoas com diabetes”, disse à agência Lusa José Manuel Boavida, da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal. Diariamente, são diagnosticadas 200 portugueses com a doença, que mata uma pessoa no mundo a cada oito segundos. Os dados apontam “um quadro muito negro, de um peso enorme, com mais de um milhão de pessoas com diabetes e cerca de dois milhões de pessoas em risco de ter diabetes”, disse o endocrinologista à agência Lusa.

Neste momento, “a diabetes é considerada a quarta causa de morte por si própria”, mas a doença está “subestimada na sua importância” porque ela “duplica ou triplica” a mortalidade nas pessoas com cancro, com doença respiratória e doenças cardiovasculares, explicou o médico. Por esta razão, José Manuel Boavida defendeu que a diabetes deve ser assumida como “um risco para a saúde pública” e “não como uma doença com a qual já se lida facilmente” e que já permite uma boa qualidade de vida.

As pessoas com diabetes necessitam de um acompanhamento cada vez mais rigoroso e principalmente necessitamos de um diagnóstico precoce da diabetes (…) e das suas complicações a fim de minorar os seus impactos seja na mortalidade, nas amputações, na cegueira, nas insuficiências renais”, salientou Boavida.

O presidente da APDP salientou que mais de metade dos casos de diabetes tipo 2 são possíveis de prevenir com “hábitos simples” que começam em casa, como uma alimentação saudável, a prática de exercício físico e um ambiente familiar saudável.

Açores com 20.067 diabéticos nos cuidados de saúde primários

A Secretaria Regional da Saúde dos Açores indicou hoje que, no final de setembro, estavam registadas 20.067 pessoas com diabetes nos cuidados de saúde primários do arquipélago.

Entre aquelas pessoas registadas com diabetes nos cuidados de saúde primários dos Açores, "15% tomavam insulina, 52% tinham pelo menos um exame dos pés registado no ano e quase 39% haviam beneficiado de duas ou mais consultas médicas”, acrescenta a nota da Secretaria Regional da Saúde.

Recordando algumas regras para prevenir a doença, o executivo açoriano frisa ser "importante seguir três regras de ouro", nomeadamente, vigiar os valores de glicemia e incentivar os familiares a fazer o mesmo, a par de uma alimentação equilibrada e saudável, e ser fisicamente ativo.

A Secretaria da Saúde alerta também que "a vacinação contra a gripe é fortemente recomendada para pessoas com diabetes mellitus, estando disponível gratuitamente, para este grupo, nos cuidados primários".

A obesidade "é um dos principais fatores de risco para a diabetes, sendo que, das pessoas com diabetes registadas, quase 48% apresentavam um índice de massa corporal superior a 30, um valor que confere diagnóstico de obesidade", lê-se na nota.

De acordo com o executivo açoriano, "das pessoas com diabetes registadas, perto de 57% apresentavam tensão arterial sistólica acima dos 130, um valor elevado, mas ainda no intervalo considerado normal".

A secretaria regional da Saúde alerta ainda que "a diabetes é fator de risco para o enfarte agudo do miocárdio e para o acidente vascular cerebral", adiantando que "perto de 4% dos utentes com diabetes em vigilância registavam, no final de setembro, um destes diagnósticos".

"A prevalência da diabetes tipo 1 e 2 situa-se em 7,9% nos Açores, abaixo de 9,9%, último valor apontado para o conjunto do país pela Direção-Geral da Saúde", adianta o executivo.

Na nota divulgada, a Secretaria Regional da Saúde alerta os açorianos para “a importância de se protegerem e de defenderem desta doença aqueles que os rodeiam” e recorda que, este ano, o tema das comemorações é “Família e Diabetes”, uma doença que pode causar cegueira, doenças cardíacas e amputações.

/ BC/CM - notícia atualizada às 15:51