Os advogados das vítimas do caso das adoções da IURD não aceitam o despacho de arquivamento, por prescrição dos crimes, decidido pelo Ministério Público e vão pedir a abertura da instrução.

No caso de Ricardo, um dos pais das crianças adotadas ilegalmente, ficou mesmo provado que existiu um falso registo da sua filha sem que ele tivesse conhecimento e, por isso, a advogada considera que tratando-se de um crime permanente ainda não prescreveu.

Aliás, é preciso anular a falsa certidão de nascimento da filha de Ricardo para o prazo deste crime começar a contar e são necessários 10 anos para que o crime prescreva.

Os advogados alegam ainda que, num outro caso, no de “Maria”, o Ministério Público ignorou o facto da antiga Procuradora-Geral da República Joana Marques Vidal, na altura enquanto coordenadora do Ministério Público no Tribunal de Família, ter sabido que as crianças não estavam com a mulher que as tinha adotado.

Na verdade, as crianças estavam separadas e tinham sido entregues a bispos da IURD. Joana Marques Vidal sabia disso e nada fez para as proteger.

Além disso, durante a investigação, o Ministério Público nunca ouviu Alice Andrade, a secretária pessoal do bispo Edir Macedo, e confessa no despacho de arquivamento que não teve tempo para notificar o bispo Edir Macedo quando ele esteve em Portugal, acabando por também nunca ter sido ouvido no inquérito.

O Ministério Público decidiu ainda manter o processo principal das adoções da IURD em segredo de justiça e, assim, as mães continuam sem ter acesso a todos os documentos sobre as adoções dos seus filhos para se poderem defender das acusações do despacho de arquivamento.