Deisom Camará, militar de elite do Exército, foi tramado ao estilo CSI pelo homicídio do colega Luís Teles Lima, a 21 de setembro do ano passado, no quartel dos Comandos na Carregueira, em Sintra. Segundo o despacho de acusação do Ministério Público, a que a TVI teve acesso, o Laboratório de Polícia Científica concluiu que a vítima não tinha vestígios de resíduos de pólvora nas mãos, ao contrário do suspeito – o que indicia que foi este último a disparar, afastando a tese de suicídio.

Além disso, a investigação da PJ Militar liga ainda a trajetória do projétil, que atingiu o militar Luís Teles Lima no peito – “de frente para trás, de cima para baixo” –, à diferença de alturas dos dois suspeitos. O crime foi cometido ao final da tarde, quando Camará, de 22 anos, estava de sentinela à casa de apoio ao paiol do quartel da Carregueira.

Quanto à munição de guerra de espingarda G3 que vitimou o soldado, pertence ao mesmo lote de outras que foram encontradas mais tarde, a 28 de novembro, dentro de uma caixa de sapatos em casa do suspeito, agora acusado por homicídio qualificado. O móbil do crime continua a ser um mistério no processo, visto que o arguido não confessa, mas o Ministério Público remete para um possível conflito entre ambos durante o período, entre 2017 e 2018, em que participaram numa missão das Nações Unidas na República Centro Africana.