O Governo da Madeira decidiu tornar obrigatório o uso de máscara na rua. Trata-se da primeira região do país a aplicar esta obrigatoriedade, na qual o fundamento legal é a proteção da saúde pública no âmbito da pandemia de Covid-19.

Mariana Sottomayor, bióloga e professora Faculdade Ciências da Universidade do Porto, considera que, face à evidência que a Covid-19 possa ter transmissão por via aérea, esta é uma medida "adequada", e não excessiva.

Em declarações à TVI24, a especialista explica que uma vaga de turistas e a aglomeração de pessoas são situações que podem propriciar a transmissão do novo coronavírus a um nível elevado e que, por isso, "é uma medida que faz todo o sentido".

A bióloga vai mais longe e defende que esta devia ter sido a primeira medida a tomar na pandemia de Covid-19, ainda antes mesmo desta ter sido declarada como tal.

Esta era a medida mais óbvia e aquela que foi tomada nos países onde esta epidemia surgiu e que rapidamente a controlaram", explica Mariana Sottomayor.

A professora relembra que "foi quase por decreto" que se decidiu, inicialmente, que o vírus não se propagava pelo ar, "porque não havia nenhuma prova científica que assim fosse".

Numa situação com esta gravidade, a precaução máxima era aquela que devia ter sido logo tomada", considera a bióloga.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que a transmissão por via aérea acontece apenas em espaços fechados. 

Sobre este facto, Mariana Sottomayor defende que, se a transmissão aérea ocorre em espaços fechados, também ocorre em espaços abertos. No entanto, a probabilidade de esta ocorrer é menor.

Ainda assim, a especialista alerta que é perfeitamente evidente que o falar também emite gotículas que podem ser transmitidas a distancias maior, e serem transmissoras do vírus.

Neste momento temos de pensar no falar e no cantar, como quem tosse e espirra", alerta.

Rafaela Laja