A Fenprof (Federação Nacional dos Professores)  diz que o despacho sobre identidade de género nas escolas só peca por tardio e pede reforço de meios para que seja cumprido. 

Em comunicado enviado às redações "a propósito da recente polémica lançada por PSD e CDS",  a Fenprof lamenta que o despacho só tenha sido publicado  "um ano depois da publicação da lei, em pleno período de férias e a duas semanas do reinício da atividade das escolas", assinalando que o respeito pelo direito à autodeterminação da identidade de género e expressão de género merecia outro destaque, já que "deverá dar resposta a uma realidade que não pode ser ignorada e a que, em algumas escolas, professores e os seus órgãos de gestão têm procurado dar a devida atenção, apesar, até agora, de não terem tido o necessário apoio".

Não é verdade que a aplicação deste despacho potencie fenómenos de bullying, eles são potenciados, isso sim, quando a sociedade ou a escola ignoram a realidade, deixando mais expostas, logo, mais fragilizadas, as minorias, sejam elas quais forem. Acresce que, ao contrário de um, infelizmente, grande número de adultos, as crianças e jovens estão muito mais habilitados a lidar com a diferença, sabendo, não apenas, integrar, mas incluir", lê-se no mesmo comunicado.

A Fenprof refere ainda que, sobre questões de género, a escola portuguesa tem ainda um grande caminho a percorrer. E pergunta: "É, pois, importante que sejam dados os primeiros novos e significativos passos, não podendo deixar de se questionar sobre o que pretende o CDS quando, em relação a esta matéria, afirma que o despacho obriga as escolas a prosseguir um caminho limitando a possibilidade de ter o seu próprio projeto educativo. Entenderá aquele partido que, em relação a uma questão destas, a escola deverá poder discriminar e/ou excluir como, aliás, fazem alguns colégios, por exemplo, em relação a determinadas realidades?"

O sindicato conclui o comunicado dizendo que não basta, porém, publicar o despacho e atribuir às escolas a responsabilidade de o cumprir. A Fenprof pede ao Ministério da Educação "a criação de tempos específicos para a formação (indispensável) que não aumentem ainda mais a sobrecarga horária dos docentes", bem como o reforço do número de assistentes operacionais e os recursos físicos das escolas.