Populares abraçaram-se esta segunda-feira a um plátano na avenida do Cabedelo, Viana do Castelo, para impedir o abate de árvores previsto na obra de acessos ao porto de mar, apesar de moradores terem anunciado um embargo extrajudicial da empreitada.

Eram cerca das 10:18 quando os populares se abraçaram à árvore, mas a contestação em Darque contra o abate de cerca de 20 dos 170 plátanos existentes na avenida começou às 08:00, numa iniciativa convocada através das redes sociais que chegou a juntar cerca de meia centena de pessoas.

A associação de moradores do Cabedelo, que marcou presença no protesto contra este corte de árvores, previsto nas obras de construção de acessos ao Porto de Viana do Castelo, acionou um “embargo extrajudicial de obra” para travar o abate, mas a tentativa de prosseguir os trabalhos levou alguns manifestantes a abraçarem-se à árvore.

Em declarações à agência Lusa, a presidente da associação de moradores, Mariana Rocha Neves, explicou que o embargo extrajudicial de obra é uma figura jurídica “que permite a paragem imediata da obra para que, num prazo de cinco dias, o processo judicial seja formalizado”.

O embargo extrajudicial de obra faz-se numa fase inicial, de forma informal, mas tem efeitos imediatos e suspensivos. O encarregado da obra foi informado desse facto e se desobedecer incorre na prática de um crime. No prazo de cinco dias, iremos interpor uma ação junto do Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga”, explicou a advogada, que reside naquele lugar da freguesia de Darque, na margem esquerda do rio Lima.

Os agentes da PSP presentes no local informaram o encarregado da obra desse procedimento jurídico, mas cerca das 10:18 os trabalhadores tentaram iniciar os trabalhos, tendo sido impedidos pelos populares que se abraçaram à árvore.

Além dos dois carros patrulha inicialmente presentes no local, a PSP mobilizou reforço policial.

Na sexta-feira, a Câmara de Viana do Castelo anunciou que a última fase da empreitada de três milhões de euros que visa melhorar o acesso ao porto de mar de Viana do Castelo começava hoje.

Em comunicado enviado à Lusa, a Câmara Municipal de Viana do Castelo referiu que a obra pretende "atrair novas atividades económicas para a área de influência do Porto, reduzir os custos operacionais inerentes aos tempos de ligação rodoviária do Porto aos principais polos de atividade, reduzir o ruído e as emissões poluentes, aumentar a segurança da circulação, e contribuir para o descongestionamento da circulação rodoviária, retirando o tráfego pesado das vias urbanas".

A autarquia avisou ainda que os trabalhos obrigarão ao condicionamento do trânsito hoje e na terça-feira para abate de cerca de duas dezenas das 170 árvores (plátanos) existentes na avenida.

Com o objetivo de "minimizar o impacto" daquele derrube de árvores, a autarquia prevê investir 30 mil euros na plantação de 200 árvores resinosas e folhosas autóctones com grande capacidade de reserva de carbono, como é o caso do pinheiro-bravo e do sobreiro, nos próximos dois anos em várias áreas do Cabedelo.

O objetivo desta ação "é repor, mas também reforçar, a capacidade de sequestro de CO2 naquele território e contribuir também para a melhoria do aspeto cénico, conforto climático e dos locais que podem ser usufruídos", sustentou a câmara, liderada pelo socialista José Maria Costa.

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