AVISO: ESTE ARTIGO CONTÉM IMAGENS CAPTADAS NO LOCAL QUE PODEM FERIR ALGUMAS SUSCETIBILIDADES

Depois de várias horas, os populares e vários membros de associações de animais conseguiram furar a barreira policial e entrar nas instalações de um dos dois abrigos consumidos pelo incêndio em Santo Tirso.

O objetivo primário destes voluntários era resgatar e prestar cuidados médicos aos animais que sobreviveram às chamas, durante a madrugada deste domingo.

Os que penetraram nas instalações descreveram um cenário dantesco, com vários cadáveres de cães e gatos no solo e muitos animais assustados, alguns com ferimentos graves.

Nunca vi nada assim. Há pelo menos 52 cadáveres e 25 resgatados. Há animais subnutridos e cheios de carraças, era uma tristeza o que estava lá dentro. Foi muito pior do que diziam... Foi horrível, muitas carcaças, animais em más condições e muitos animais mortos agarrados a correntes”, descreve uma das pessoas no local.

A associação de animais IRA (Intervenção e Resgate Animal) também esteve no local e não escondeu a revolta com esta ocorrência e com as condições em que estes cães viviam.

O IRA culpabilizou as donas do abrigo O cantinho das 4 patas, bem como, a Câmara Municipal de Santo Tirso, que não terá tomado medidas atempadamente.

A associação de animais reiterou ainda que no abrigo imperava a “ausência de condições condignas para o alojamento” e garante que “foram dados os primeiros socorros e estabilizados no local pela associação portuguesa de busca e salvamento e populares”.

As primeiras pessoas a entrar no abrigo confessaram estar incrédulas. Houve mesmo quem se questionasse como é possível que as autoridades portuguesas permitam este tipo de abrigos sejam legais.

Terror! Isto é um completo terror... Não se admite que no nosso país possam existir estas instalações para animais. Incrível! Desde ontem [sábado] que tentávamos entrar e só graças à população é que conseguimos”, relata um dos voluntários.

O PAN também esteve no local e garantiu que o acontecimento poderia ter sido evitado se tivesse existido um “planeamento por parte das autoridades e por parte dos responsáveis políticos”.

As imagens do incidente divulgadas pelo PAN nas redes sociais, mostraram o forte impacto das chamas e podem ferir a suscetibilidade dos leitores mais sensíveis. O incêndio atingiu as instalações durante a noite.

Noutra publicação, mais recente, o PAN queixa-se que as autoridades no local alegam que se trata de “propriedade privada” e, por isso, não estão a facilitar o acesso aos animais feridos.

GNR chegou a garantir que os animais que podiam ser salvos, foram salvos

Ao início da tarde, a GNR respondeu às acusações do PAN, através de um comunicado enviado aos órgãos de comunicação social. No documento garantia que os animais que podiam ser salvos, foram salvos.

Na sequência do incêndio que se iniciou ontem, dia 18 de julho, numa zona florestal da Freguesia de Sobrado, Valongo, e que se propagou para a freguesia de Agrela, Santo Tirso, foi consumido parte de um terreno, no qual se encontravam diversas instalações com cães. Enquanto o incêndio deflagrava, ainda durante a tarde, a ação da GNR foi essencial para permitir que tivessem sido resgatados, com vida, a maior parte dos cães", podia ler-se no documento. 

A GNR acrescentava ainda que "a dimensão do fogo e a grande concentração de animais naquele local, impediram que tivesse sido possível resgatar todos os animais com vida, tendo sido recuperados alguns já sem vida"

E explicava, por fim que "os bombeiros combateram o incêndio, conseguindo evitar que o espaço ardesse todo, havendo condições para que os restantes animais permanecessem no local até que se resolvesse a situação, sendo retirados apenas os animais feridos, por indicação do veterinário municipal. Mais tarde, já durante a fase de rescaldo do incêndio, durante a madrugada, diversos populares pretenderam aceder ao terreno, situação para a qual a Guarda foi alertada pela proprietária do terreno".

Àquela hora, já não existia urgência, uma vez que a situação estava já a ser tratada pelas entidades competentes e por se tratar de propriedade privada, os militares da Guarda impediram os populares de aceder ao espaço", referiu.

Nuno Mandeiro