Bruno Jacinto, um dos 44 arguidos do ataque à Academia do Sporting, afirmou, esta segunda-feira, em tribunal, que soube na véspera da intenção da claque Juventude Leonina em invadir a academia.

O ex-oficial de ligação aos adeptos é o único dos 44 arguidos a prestar declarações no arraque do julgamento, que decorre em Monsanto, com os restantes arguidos, incluindo o ex-presidente Bruno de Carvalho, a optarem pelo silêncio na fase de interrogatório por parte do coletivo de juízes.

Bruno Jacinto contou que foi informado por Tiago Silva, gestor de bilhetes da claque, sobre a ida à academia e disse que era “normal membros da claque irem à academia falar com jogadores e treinadores” quando havia maus resultados.

Disse também que informou André Geraldes, ex-team manager da equipa de futebol, por mensagem, mas que este não respondeu, mesmo depois de o tentar contactar várias vezes.

No dia 15, às 16:45, contou que avisou o segurança da academia, Ricardo Gonçalves, de que iam lá alguns adeptos e que iam falar especificamente com três jogadores: Acuña, Battaglia e Rui Patrício.

Disse que só avisou a essa hora porque André Geraldes não atendeu e, como teve muito trabalho, só o fez naquele momento, tendo depois ido à academia.

"Quando cheguei ainda consegui ver algumas pessoas a correr na estrada", lembrou.

"De cara descoberta?", questionou a juíza. "Alguns sim", respondeu.

Bruno Jacinto contou que quando chegou à academia viu cinco elementos da claque, entre os quais Fernando Mendes, a falarem com o jogador William Carvalho e outros elementos do staff do clube, no momento em que o ataque já tinha acontecido.

Questionou o que se tinha passado e disse a Fernando Mendes que o que se passou “não devia ter passado”.

Sobre se teria sido Bruno de Carvalho a autorizar o ataque, Bruno Jacinto disse que ouviu uma conversa no aeroporto da Madeira, após a derrota com o Marítimo, entre Fernando Mendes, Mustafá e Tiago Silva, em que um deles, não sabendo especificar quem, terá afirmado que o então presidente disse "façam o que quiserem".

Bruno Jacinto desculpa-se, no entanto, com o facto de estar muito barulho no momento em que ouviu essa alegada conversa.

Questionado sobre a relação entre Bruno de Carvalho e Mustafá, líder da Juve Leo, disse que era "normal, uma relação institucional".