O militar da GNR que subscreveu o relatório da investigação do ataque à academia do Sporting, em Alcochete, afirmou, esta quinta-feira, em tribunal, que a acusação não “apurou individualmente” o que cada um dos 42 arguidos fez no interior do balneário.

Individualmente, não foi apurado quem fez o quê, porque dentro do balneário não há sistema de videovigilância”, disse José Monteiro, no tribunal de Monsanto, onde decorre a terceira sessão do julgamento, que envolve 44 arguidos, entre os quais Bruno de Carvalho, presidente do clube à data dos factos.

O militar da GNR, que presta serviço na secção de unidade criminal do departamento de investigação, disse ter “pegado” na investigação em setembro do ano passado, mais de três meses depois do ataque à academia, ocorrido em 15 de maio.

A quarta testemunha a ser ouvida pelo coletivo de juízes, presidido por Sílvia Pires, explicou que, “dos 43 indivíduos que entraram na academia, um que foi despronunciado,”, acrescentando que “23 foram detidos em flagrante delito” e os restantes identificados pelas imagens das câmaras de videovigilância.

José Monteiro confirmou que foram investigados três grupos criados no Whatsapp – Academia Amanhã, Piranhas on Tour e Exército Invencível –, que também ajudaram a consolidar a identificação dos arguidos.

Questionado pelo advogado do ex-presidente do Sporting, o militar da GNR confirmou que Bruno de Carvalho “não está envolvido nas mensagens trocadas” nos referidos grupos.

Droga apreendida atribuída à claque

 O militar da GNR João Oliveira admitiu que a posse da droga apreendida durante as buscas na sede da Juventude Leonina foi atribuída à claque e não a uma pessoa em especial.

“A droga foi apreendida à 'Juve Leo'”, afirmou João Oliveira, um dos responsáveis pelas duas buscas à sede da claque, junto ao estádio de Alvalade, na terceira sessão do julgamento.

Segundo João Oliveira, quando foram apreendidas 15 gramas de cocaína num frasco com arroz, Jojó, a pessoa que tomava conta do espaço da ‘casinha’ e Nuno Mendes ‘Mustafá’, um dos líderes da claque 'Juve Leo' “discutiam sobre de quem era a droga”.

Questionado por Rocha Quental, advogado de Mustafá, um dos dois arguidos que continua em prisão preventiva por alegado tráfico de droga, o militar não confirmou que a droga fosse do líder da claque dos ‘leões’.

No final da sessão, Rocha Quental considerou que a testemunha confirmou que o seu cliente “não praticou o crime de tráfico de droga”, admitindo que vai equacionar todas as possibilidades quanto a um possível pedido da medida de coação.

Não há nenhum elemento que o relacione com o tráfico de droga. É o momento certo para fazer prova, o tribunal está atento, e isso deixa-me confiante”, afirmou o advogado.

Mustafá, Bruno de Carvalho, antigo presidente do Sporting, e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos do Sporting, estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Os três arguidos respondem ainda por um crime de detenção de arma proibida agravado e Mustafá também por um crime de tráfico de estupefacientes.

Aos arguidos que participaram diretamente no ataque à academia, o Ministério Público imputa-lhes a coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Estes 41 arguidos vão responder ainda por dois crimes de dano com violência, por um crime de detenção de arma proibida agravado e por um crime de introdução em lugar vedado ao público.

Em 15 de maio do ano passado, durante o primeiro treino da equipa de futebol do Sporting, após a derrota na Madeira, cerca de 40 adeptos ‘leoninos’ encapuzados invadiram a Academia de Alcochete e agrediram vários jogadores, bem como o então treinador, Jorge Jesus, e outros membros da equipa técnica.

/ MM - Notícia atualizada às 18:40