O despiste de um autocarro na manhã de hoje provocou três feridos, “possivelmente um em estado mais grave”, e causou danos em três viaturas que se encontravam paradas numa das ruas de Viseu, disse fonte dos bombeiros.

Tudo indica que terá sido doença súbita do motorista do autocarro. O acidente provocou três feridos ligeiros, sendo que um deles é o motorista e, possivelmente, estará em estado mais grave do que os outros, mas são todos feridos ligeiros”, explicou à agência Lusa o segundo comandante dos Bombeiros Municipais de Viseu.

Rui Nogueira acrescentou ainda que o autocarro “embateu em três viaturas ligeiras que se encontravam paradas na via, sendo que os dois feridos mais ligeiros estavam nessas viaturas”.

O despiste aconteceu às 09:39, na Avenida António José de Almeida, uma das principais artérias da zona centro da cidade, junto ao edifício da Segurança Social, comummente conhecido em Viseu por prédio alto.

Despiste e queixas "ensonbram" arranque do sistema de Mobilidade Urbana

Este despiste do autocarro e queixas de quem não conseguiu chegar a tempo ao trabalho ou perceber que linha serve determinada zona da cidade “ensombraram” a entrada em funcionamento, precisamente esta terça-feira, do sistema de Mobilidade Urbana de Viseu (MUV).

"Antes eu saía de um autocarro e entrava noutro. Mas hoje cheguei aqui e o de Rio de Loba (linha 1), que eu costumava apanhar, já tinha partido. Agora estou à espera do seguinte, que já está atrasado”, contou à agência Lusa Celina Ferreira.

A mulher, que vive no Mundão e trabalha como doméstica em Rio de Loba, mostrava assim o seu descontentamento na paragem do autocarro junto ao Rossio, criticando as mudanças que o MUV introduziu. “Eu queria ir para Abraveses, a uma consulta do dentista, mas a informação não está clara. É uma baralhada autêntica”, disse, por seu turno, Conceição Sá.

Ninguém se entende: eu ia no 20 ou no 7, agora dizem-me que já não é nesses”.

A mulher acabou por desistir e ir embora, à procura de outra solução para conseguir chegar a Abraveses.

O que diz o presidente da Câmara

O despiste, que provocou três feridos ligeiros, ocorreu às 09:39, numa altura em que o presidente de Câmara, Almeida Henriques, e o restante executivo faziam a viagem inaugural de uma das três novas linhas do MUV.

Ao chegar à paragem do Rossio no autocarro da linha 21, que serve Silgueiros, Almeida Henriques ouviu as queixas de Celina Ferreira, que garantiu que ia “à Câmara pedir o dinheiro de meio dia” de trabalho. “É natural que haja ajustamentos”, respondeu-lhe o autarca.

[É] perfeitamente natural que nestes primeiros dias haja um ou outro ajustamento de horário que tenha de ser feito”.

Almeida Henriques frisou ainda aos jornalistas que se trata de um serviço novo, com uma grande complexidade, que inclui “desde o serviço urbano, ao periurbano, ao serviço para as freguesias”, e que, por isso, está a ser desenvolvido faseadamente. “Mas tudo ficará com certeza resolvido nos próximos dias”, frisou.

Segundo o autarca, o MUV “é uma grande conquista para Viseu”, que passa finalmente a ter um serviço de transporte urbano.

A partir de hoje, de dez em dez minutos, está a sair da central de camionagem um minibus que leva as pessoas a qualquer ponto da cidade. [Houve a preocupação de estas viaturas] fazerem a ligação às chamadas freguesias periféricas e aos bairros que estão à volta da cidade”.

Como está em fase de testes, este serviço “vai ser gratuito durante o mês de abril e de maio”, acrescentou.

Com os novos serviços entram também em funcionamento vários passes, além do social, nomeadamente o estudante, o empresa, o turístico e o familiar.

Almeida Henriques disse ainda que, por exemplo, com o mesmo título de transporte comprado em Silgueiros, um utente pode “parar no Rossio e, de imediato, passar para um dos minibus” que o levará depois ao hospital, ao centro de saúde ou à escola.

O que se pretende é criar em Viseu um sistema de mobilidade urbana que não tínhamos. Nós só tínhamos as camionetas para as freguesias, serviço que reforçámos, e passamos agora a ter os transportes urbanos”.

O autarca disse que haverá mais novidades até ao final do ano e realçou que “a ideia é que este serviço chegue ao maior número possível de pessoas”. Nesse sentido, serão feitos ajustamentos “a toda a hora”.

No que respeita às queixas de falta de informação, Almeida Henriques explicou que, na central de camionagem, estão duas pessoas a prestar todos os esclarecimentos necessários. A informação está também a ser constantemente atualizada na Internet e estão a ser distribuídos panfletos à população.