Um militar da GNR morreu na noite de segunda-feira, em serviço, quando a moto em que seguia se despistou perto dos Carvalhos (Vila Nova de Gaia), disse hoje o presidente da Associação Sócio-Profissional Independente da Guarda, noticia a Lusa.

O presidente da ASPIG, José Alho, explicou à Lusa que o militar em causa, de 31 anos, «fazia um acompanhamento de grandes dimensões, até Viana do Castelo». «Ao sair da auto-estrada [A1, na zona dos Carvalhos], despistou-se e morreu no local», disse a mesma fonte.

O guarda que morreu era solteiro, estava destacado em São João da Madeira (Aveiro) e era natural de São Pedro do Sul (Viseu).

O dirigente associativo da GNR, que lamentou a morte do militar, criticou o elevado número de anos do material posto ao serviço do destacamento de São João da Madeira.

«Um motociclo para a extinta Brigada de Trânsito com quatro, cinco anos atingia o limite [de idade para circular]. Esta moto [com a qual o militar se despistou] tinha 14 a 15 anos», criticou José Alho.

«Não podemos dizer ainda que foi este o motivo do acidente, porque isso faz ainda parte do inquérito. Mas é difícil dominar um motociclo com este número de anos», acrescentou.

Moto tinha 260 mil quilómetros

Segundo a mesma fonte, o destacamento de São João da Madeira não tem material próprio, pelo que teve de usar material cedido por destacamentos adjacentes.

«A moto em que o militar se despistou tinha 260 mil quilómetros e a outra que está ao serviço tem 440 mil quilómetros», disse também.

«As motos são muito velhas e como presidente da associação tenho a dizer que o Governo não nos tem dado condições de trabalho», salientou José Alho.

Contactada pela agência Lusa, fonte do Comando Territorial de Aveiro, que abrange o Destacamento de Trânsito de São João da Madeira, disse, por seu lado, que o acidente nada teve a ver com o número de anos do motociclo em que circulava o militar.

«Aquela moto tem os anos que têm 90 por cento das motos que são utilizadas diariamente nos serviços de destacamento de trânsito e, numa primeira análise, não existe uma relação entre os anos da moto e o acidente», disse aquela fonte.

Disse também que o núcleo de investigação de acidentes de viação do Destacamento de Trânsito de São João da Madeira já tomou conta da ocorrência e «há de apurar a causa do acidente».

«Do que sei, o nosso militar, a seguir às portagens dos Carvalhos, ter-se-á enganado a sair da auto-estrada para o Entroncamento e ao aperceber-se disso tentou voltar outra vez ao trajecto e não conseguiu segurar a moto. Os despistes acontecem, só que ele foi bater contra os rails de protecção e o grande dano que ele sofreu foi na cabeça», explicou a fonte.

«Não posso garantir, mas não me parece que haja [relação entre o acidente e o número de anos da moto]. Acho que é criar um facto onde ele não existirá. Pelo menos, para já, os indícios não apontam nesse sentido», acrescentou.

A mesma fonte concordou, no entanto, que a longa idade do material que está a uso entre os militares da GNR é uma realidade a nível nacional, mas lembrou que «os anos de vida do material também têm a ver com a sua utilização intensiva ou não».

«Uma viatura com quatro anos pode ter 200 mil quilómetros, mas será que uma viatura com quatro anos é velha? Não me parece», exemplificou.
Redação