A operação de resgate das quatro vítimas mortais, na sequência da queda de um helicóptero do INEM já terminou na serra da Santa Justa, ao que apurou ao início da tarde a TVI.

No local estiveram 88 operacionais e 34 viaturas, segundo afirmou o Comandante Distrital da Proteção Civil, Rodrigues Alves.

Rodrigues Alves referiu ainda que não houve qualquer atraso no contato dos Bombeiros para a Proteção Civil. "Não temos qualquer indicação que tenha havido atraso dos bombeiros para a Proteção Civil", disse.

Mas o Governo quer saber o que realmente aconteceu da passagem de informação entre as formas de socorro. Em comunicado refere-se que o ministro da Administração Interna determinou “à Autoridade Nacional de Proteção Civil a abertura de um inquérito técnico urgente ao funcionamento dos mecanismos de reporte da ocorrência e de lançamento de alertas em relação ao acidente que envolveu o helicóptero do INEM e que vitimou quatro pessoas.”

O nevoeiro e a chuva poderão ter estado na origem do acidente da queda do helicóptero do INEM que este sábado, à tarde, tirou a vida quatro pessoas na serra de Santa Justa, na zona de Valongo, no grande Porto.

Fontes no local, com quem a TVI falou, dizem que estava escuro e o nevoeiro e a chuva também não ajudaram à visibilidade num local já por si difícil e onde há muitas antenas. Outra testemunha o local disse que há um cabo de alta tensão caído, onde o helicóptero terá embatido.

O aparelho foi localizado à 1:30 da manhã, mas deixou de dar qualquer sinal pelas 18:55, segundo um comunicado da empresa que gere a navegação aérea (NAV). As quatro pessoas que morreram eram do Instituto Nacional de Emergência Médica - no interior seguiam dois pilotos, um médico e uma enfermeira.

.

NAV alertou Proteção Civil e Força Aérea meia hora depois de perder contacto com helicóptero

Entretanto, a NAV diz que alertou meia hora após a perda de contacto com o helicóptero do INEM, entidades como a Proteção Civil e a Força Aérea para a falha de comunicação com o aparelho.

Segundo a NAV, à 19:40 foi avisada a Força Aérea Portuguesa, “que é quem ativa a busca e salvamento”, 20 minutos depois de terem sido contactados os CDOS do Porto, Braga e Vila Real, que “não atenderam”.

Numa nota enviada à Lusa, em que afirma ter adotado “com diligência e celeridade todos os procedimentos estabelecidos para este tipo de situações”, a NAV Portugal transcreve, ao minuto, a sequência de acontecimentos após a falta de comunicação com o helicóptero HSU203, acidentado junto a Valongo no sábado e que resultou na morte de quatro pessoas.

Segundo a NAV, a tripulação contactou com a Torre de Controlo do Porto às 18:30, para informar que iria descolar para Macedo de Cavaleiros via Baltar dentro de 5/6 minutos, informando ainda que se não conseguisse aterrar em Baltar, poderia prosseguir para o Porto.

A primeira perda de sinal radar com o helicóptero deu-se às 18:55, afirmou a NAV, salientando ainda que a perda de comunicações “é normal”, devido “à altitude e orografia do terreno”.

A hora expectável de aterragem, tendo em conta a hora de descolagem do aparelho, era às 19.00, destacou ainda a NAV.

A empresa destacou que às 19:20, “de acordo com o protocolo de atuação, que determina que 30 minutos após o último contacto expectável se iniciem tentativas de contacto com a aeronave”, a Torre de Controlo do Porto contactou telefonicamente várias entidades, entre as quais os bombeiros de Valongo e a PSP de Valongo.

À mesma hora, foi tentado o contacto ainda com os Comandos Distritais de Operações de Socorro (CDOS) do Porto, Braga e Vila Real “que não atenderam”.

“Só após contactar o CDOS de Coimbra, que reencaminhou a chamada para o Porto, é que se conseguiu contactar o CDOS do Porto”, vincou a NAV.

Foram também contactados o Aeródromo de Baltar, os telemóveis da tripulação, o Aeródromo de destino, em Macedo de Cavaleiros, o Heliporto de Massarelos, “para saber se tinham optado por regressar, tendo aqui sido contactada a PSP para ir verificar ao local, uma vez que o heliporto não tem operações permanentes”, acrescentou a empresa.

Segundo a NAV, à 19:40 foi avisada a Força Aérea Portuguesa, “que é quem ativa a busca e salvamento”.

Na sua comunicação, a NAV apresenta também as “sentidas condolências aos familiares e amigos das vítimas do trágico acidente”.