"Venho testemunhar solidariedade, gratidão e determinação". Foram as primeiras palavras do Presidente da República, na chegada ao local do trágico acidente de autocarro que ocorreu na quarta-feira, no Caniço, Madeira. Levou consigo uma coroa de flores, que ali depositou, e cumpriu um minuto de silêncio em memória das vítimas mortais. Sobre a investigação, Marcelo Rebelo de Sousa não se quis pronunciar: "Não é essa a função do Presidente". 

Destacando a solidariedade para com os "familiares das vítimas"- 29 pessoas morreram, ao que tudo indica todos turistas alemães, e 27 ficaram feridas, incluindo o motorista e a guia turística, portugueses - Marcelo Rebelo de Sousa deslocou-se ao Funchal numa altura em que ainda há 16 pessoas internadas. "Felizmente com uma evolução positiva no estado de saúde", sublinhou.

"Um agradecimento a todos quantos de forma tão rápida, tão competente, tão eficiente - foram muitas instituições e pessoas - que souberam acorrer ao que se passou e proporcionar aqui", disse depois.

O próprio presidente alemão me agradeceu a forma excecional como tinha havido nos momentos imediatos - menos de uma hora  e ao longo destes dias - uma preocupação de acolher, apoiar, tratar e cuidar e que não esquecia e eu também não esqueço em nome de todos os portugueses".

Se no local da tragédia não se quis pronunciar sobre a investigação, já à porta do Hospital Dr. Nélio Mendonça, Marcelo destacou que está a decorrer "de forma muito rápida e eficiente".

Eu acompanho o que se passa, está a decorrer nos termos normais, sob responsabilidade da instituição que tem a seu cargo esse tipo de investigação, com a colaboração das autoridades competentes. Isso está a correr de forma muito rápida e muito eficiente, e a seu tempo saberá as conclusões".

Ainda no lugar onde o autocarro se despistou, o chefe de Estado quis, também, deixar uma mensagem com sentido de futuro. "Determinação: vamos olhar para o futuro, estar com os feridos, com aqueles que estavam e que não foram atingidos, o grupo acidentado. Alguns deles querem continuar a ficar cá, não querem regressar de imediato ao seu país", deixando por fim uma palavra ao povo madeirense, igualmente de "determinação para o futuro".

O Presidente recordou que a cerimónia luterana e a associação da cerimónia de sexta-feira integram-se na homenagem decorrente dos três dias de luto nacional decretados. "É uma dupla homenagem religiosa, para além da homenagem cívica".

Esta manhã, o Hospital Dr. Nélio Fonseca, no Funchal, deu a indicação de que, ontem, por volta das 18:00, chegou àquela unidade de saúde a equipa hospitalar da Alemanha, segundo o adjunto da direção-clínica, Miguel Reis.

As reuniões permitiram avaliar clinicamente cada paciente. Não há nenhum critério clínico que justifique transferência de feridos para a Alemanha".

Foi, pelo que indicou, uma avaliação feita em conjunto pela equipa médica da Madeira e pela equipa alemã.