A velocidade dos veículos e a indisciplina dos peões, sobretudo idosos, são as principais causas de atropleamento em Portugal, segundo um especialista na área da sinistralidade urbana, refere a Lusa.

«Há uma necessidade muito clara de ter zonas 30 em bairros residenciais, junto a escolas e noutras áreas com grande densidade de peões», sublinhou o docente do Instituto Superior Técnico João Dias, destacando o papel da velocidade nos atropelamentos, ao participar, em Lisboa, numa conferência sobre segurança rodoviária promovida pelo Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna.

Se um peão for avistado a 24 metros e um veículo circular a 50 quilómetros horários, o peão não é atingido, logo tem 100 por cento de probabilidade de sobreviver, mas se o veículo circular a 80 a probabilidade de sobrevivência é zero, lembrou o investigador.

As medidas de acalmia de tráfego são, por isso, fundamentais tanto à entrada das localidades como no seu atravessamento, salientou ainda.

A indisciplina de condutores e peões é outro dos factores críticos, sobretudo entre os idosos, que constituem eles próprios o principal grupo de vítimas de atropelamentos.

«No resto da Europa, o problema da indisciplina dos peões está normalmente associado às crianças e jovens, mas cá é sobretudo um problema de idosos», notou João Dias, adiantando que «a Polícia pode ter um papel pedagógico muito importante».

Outros dados recolhidos pelo investigador permitem concluir que a maior parte dos atropelamentos acontece dentro das localidades, mas os mais graves ocorrem fora destas, onde se circula com maior velocidade.

O especialista assinalou, também, a «sinistralidade preocupante» envolvendo motociclos e veículos agrícolas, sendo que nestes casos as vítimas mortais resultam de capotamento.

Ao contrário do que seria expectável, 83 por cento dos atropelamentos ocorrem com boas condições climáticas e piso seco. A maior parte dos atropelamentos acontece entre as 18:00 e as 21:00, dentro das localidades, em plena via e em locais próprios para os atravessamentos e envolvem peões com mais de 65 anos.