A Associação dos Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M) considera que o número de mortes nas estradas é superior ao que esta sexta-feira é anunciado pelo Governo e culpa as autarquias por deixarem os carros andar a velocidade excessiva nas localidades.

O relatório anual de sinistralidade rodoviária que é hoje apresentado indica que a maioria dos acidentes rodoviários registados no ano passado ocorreu dentro das localidades, tendo o número de mortos aumentado 7,3 por cento (mais 25 vítimas mortais) face a 2007 nestes acidentes.

De acordo com o documento, 71 por cento dos acidentes e 62 por cento dos feridos graves ocorreram dentro das localidades em 2008, enquanto o número de vítimas mortais foi superior fora das localidades (53 por cento).

Para a ACA-M, o número de vítimas apontado no relatório oficial fica aquém da realidade.

«O número de mortes a 30 dias, que o Governo não contabiliza, tem vindo a aumentar e tem vindo a aumentar precisamente nos centros urbanos», disse à Lusa Manuel João Ramos.

O dirigente associativo destaca que «é sobretudo nos centros urbanos que a chegada do socorro e às urgências é mais rápida». «As pessoas não morrem no local, mas morrem 15 dias ou 30 dias depois», sublinha.

Manuel João Ramos destaca que o Instituto de Medicina Legal aponta para mais 40 por cento de mortos em termos de números globais no país em relação aos registos e considera que há omissões nas estatísticas, porque muitas vezes os números das polícias não correspondem aos números da Autoridade para a Segurança Rodoviária.