A cerca sanitária na vila de Rabo de Peixe, na ilha de São Miguel, implementada devido à covid-19, vai manter-se, pelo menos, até à terça-feira de Carnaval, avançou esta quinta-feira o secretário regional da Saúde dos Açores.

Está demonstrado que estamos no bom caminho porque há uma descida considerável de casos, mas ainda não é suficiente para o levantamento imediato da cerca, sendo determinado pelo Conselho de Governo o contínuo acompanhamento da situação, de modo a reavaliar-se o levantamento da cerca após o Carnaval”, adiantou Clélio Meneses.

O governante falava, em Angra do Heroísmo, numa conferência de imprensa de apresentação das medidas relacionadas com a covid-19 para a próxima semana, na sequência da mais recente reunião do Conselho de Governo.

Segundo a avaliação da Autoridade de Saúde Regional, todos os concelhos dos Açores têm um “baixo risco” de transmissão do novo coronavírus, que provoca a doença covid-19, com exceção do concelho da Ribeira Grande, onde se localiza a vila de Rabo de Peixe.

Clélio Meneses disse que a situação na única localidade sujeita a cerca sanitária nos Açores é ainda “preocupante”, sobretudo tendo em conta que alguns dos novos casos positivos detetados ainda não têm cadeias de transmissão identificadas.

Houve uma descida considerável de casos, no entanto, temos ainda 61 casos ativos em Rabo de Peixe. Esta semana, temos um nível de risco elevado, uma vez que são 327 casos por 100 mil habitantes”, salientou, lembrando que o limite estabelecido para o “alto risco” é de 100 novos casos por 100 mil habitantes no espaço de sete dias.

O secretário regional da Saúde disse esperar que após o Carnaval haja “condições para proceder ao levantamento da cerca”, mas sublinhou que a decisão será da Autoridade de Saúde Regional, deixando de ser necessária uma aprovação em Conselho de Governo.

“Percebendo-se que os números baixam, a Autoridade de Saúde pode a qualquer momento proceder ao levantamento da cerca, sendo certo que o Carnaval é também um momento particular”, apontou.

Clélio Meneses admitiu que a decisão de manter a cerca sanitária em Rabo de Peixe é “difícil”, mas reiterou que não havia “alternativa”.

“Sabemos da oposição que esta medida tem por parte da população, do próprio presidente da junta de freguesia, mas foi esta a medida que tínhamos de tomar, em consciência e com sentido de responsabilidade que estas funções exigem”, frisou.

Os Açores contam atualmente com 118 casos ativos de infeção pelo novo coronavírus, que provoca a doença covid-19, sendo 98 em São Miguel, 15 na Terceira, dois no Faial e três em São Jorge.

/ MJC