O ex-ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes disse hoje que está a acompanhar com "grande preocupação" a situação ligada ao novo coronavírus, considerando que "não é momento de procurar palco", mas sim de "bom senso e nervos de aço".

Tenho uma enorme confiança no trabalho que está a ser desenvolvido pela autoridade nacional de Saúde e pelas autoridades políticas. E estou com muita preocupação a acompanhar o que se passa a nível internacional. Não vale a pena iludir a questão, estamos perante um problema novo que não é integralmente conhecido nas suas múltiplas vertentes", disse Adalberto Campos Fernandes.

Sublinhando que a Organização Mundial de Saúde (OMS) "convocou um encontro de alto nível para a próxima semana", o ex-governante considerou que "é necessário perceber o que é que significa esta situação em termos de risco pandémico", mas reiterou palavras de confiança.

A população pode ter a confiança de que as autoridades nacionais, europeias, a OMS, tudo estão a fazer e a articulação com a China está a ser exemplar", referiu Adalberto Campos Fernandes em declarações a jornalistas no Porto à margem da apresentação de um estudo do Centro de Responsabilidade Integrado de Obesidade do Hospital de São João.

O ex-ministro apelou para o "bom senso" e para "nervos de aço", apontando ser sua "obrigação discutir internamente, dar opinião e aconselhar internamente".

Acho errado que ex-titulares de cargos políticos ou de cargos técnicos venham para a praça pública fazer comentário ou sugerir críticas às autoridades que estão no terreno. Eu não farei isso em nenhuma circunstância e critico quem o faz. A minha obrigação é discutir internamente, dar opinião e aconselhar internamente", disse, frisando que falava "enquanto cidadão que teve responsabilidades políticas até há pouco tempo".

Adalberto Campos Fernandes defendeu que "não vale a pena estar a criar um clima de alarme", embora, acrescentou, "não se esconda a realidade que esta é uma situação nova", mas sublinhou que "o trabalho que está a ser feito pela Direção-Geral da Saúde e pelo Governo é o trabalho que está recomendado e em linha com as orientações da OMS".

A China está a fazer um trabalho muito relevante, acompanhado da comunidade científica. É um país muito grande com problemas de continuidade demográfica enormes. Nestes momentos recomenda-se nervos de aço, bom senso, serenidade e evitar estes momentos para termos palco fácil", disse.

Questionado sobre se as suas palavras se dirigiam a alguém em particular, Adalberto Campos Fernandes apontou, apenas, que "para bom entendedor meia palavra basta".

A China elevou hoje para 636 mortos e mais de 31 mil infetados o balanço do surto de pneumonia provocado por um novo coronavírus (2019-nCoV) detetado em dezembro passado, em Wuhan, capital da província de Hubei (centro), colocada sob quarentena.

Nas últimas 24 horas, registaram-se 73 mortes e 3.143 novos casos.

Além do território continental da China e das regiões chinesas de Macau e Hong Kong, há outros casos de infeção confirmados em mais de 20 países. Na Europa, o número de casos confirmados chegou quinta-feira a 31, com novas infeções detetadas no Reino Unido, Alemanha e Itália.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou em 30 de janeiro uma situação de emergência de saúde pública de âmbito internacional, o que pressupõe a adoção de medidas de prevenção e coordenação à escala mundial.

/ BC