A Polícia Municipal do Porto vai retirar as multas de estacionamento passadas aos moradores do Bairro da Agra do Amial, em Paranhos, e substituí-las por uma admoestação, anunciou hoje o presidente da autarquia, Rui Moreira, numa visita ao local.

O independente, que se fez acompanhar do comandante da Polícia Municipal do Porto, António Leitão da Silva, e dos vereadores dos pelouros do Ambiente, da Fiscalização e da Habitação, assegurou que com esta solução fica resolvida a questão das multas que gerou uma onda de revolta entre os moradores que chegaram a acusar o município de "atitude persecutória".

Em causa estão os terrenos circundante aos blocos habitacionais do Bairro da Agra que, segundo os moradores, desde sempre foram utilizados como estacionamento e onde, em novembro do ano passado, a Polícia Municipal esteve no local e levantou os autos de contraordenação.

"Eu moro no Bairro da Agra há 50 anos e toda a vida pusemos aqui o carro e agora lembraram-se de vir aqui multar os carros. Então se toda a gente, há 50 anos sempre pôs aqui os carros, porque é que agora se lembraram?", questionou em declarações à Lusa, em janeiro deste ano, Maria José Freitas, moradora do bairro há 50 anos.

A visita hoje do presidente da Câmara do Porto surge depois de a Associação de Moradores ter denunciado a situação em sede de Assembleia Municipal e ter pedido a intervenção da autarquia, no sentido de encontrar uma solução para resolver os problemas de estacionamento naquele bairro.

Recebido hoje na sede da Associação de Moradores, o autarca anunciou que o município vai criar uma bolsa de estacionamento para moradores com o custo anual de 25 euros para o 1.º e 2.º carro, projeto para o qual pede a colaboração da associação para proceder ao levantamento das necessidades.

De acordo com os moradores, no local existem apenas 25 lugares de estacionamento para 75 carros.

Rui Moreira deixou ainda claro que "é mentira que a autarquia tenha abandonado o projeto de reabilitação do espaço exterior", como afirmou o PS em visita ao local. Segundo o autarca, este projeto não existe.

O Comandante da Polícia Municipal garantiu ainda que "não houve qualquer atitude persecutória" por parte dos agentes que responderam a uma denúncia.

"Há 50 bairros na cidade do Porto. Se me perguntarem se este bairro é uma prioridade [em termos de ordenamento de trânsito] eu diria que não. A polícia foi confrontada com uma chamada", explicou.

António Leitão da Silva revelou, aliás, que foram levantados 31 autos de contraordenação, seis deles "não tinham nada a ver com o bairro".

O presidente da Associação de Moradores, Rui Silva, que lembrou que a proximidade do polo universitário tem aumentado a pressão sobre o estacionamento neste local, pediu ainda a intervenção da autarquia no que respeita aos acessos interiores blocos habitacionais onde é difícil o acesso a veículos de emergência, sejam eles ambulâncias ou carros de bombeiros.