A associação ILGA Portugal considerou, esta quinta-feira, «histórica» a aprovação pelo Governo do casamento entre pessoas do mesmo sexo. No entanto, lamentou que a proposta não contemple a adopção.

«Trata-se de uma proposta histórica. O Estado português, após décadas de repressão e de silenciamento das relações entre pessoas do mesmo sexo, poderá finalmente vir a reconhecer a igual dignidade destas relações, através do seu igual acesso às figuras jurídicas que protegem já as relações entre pessoas de sexo diferente», refere a ILGA, em comunicado à Lusa.

Para a associação esta é uma medida «particularmente urgente» visto que será «um momento histórico de reparação em que o próprio Estado rejeitará, de forma pedagógica, a actual discriminação de lésbicas e gays num aspecto tão fundamental como é a sua conjugalidade».

Contudo, a ILGA Portugal lamenta que a proposta do Governo não contemple a parentalidade. «É evidente que casamento e parentalidade são questões substancialmente distintas e que casamento não implica parentalidade, assim como parentalidade não implica casamento», refere a associação. Mesmo assim, a ILGA defende que todas as questões relativas à parentalidade devem ser analisadas «de forma séria e responsável».
Redação / AFN