O Director Nacional da Polícia Judiciária, Almeida Rodrigues, em entrevista ao jornal «i», afirma que o bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, tem «um estilo próprio e já ninguém o leva a sério».

Na sexta-feira passada, o bastonário afirmou que estava «satisfeito» com a condenação de dois ex-inspectores da Polícia Judiciária. Gonçalo Amaral por falsidade de depoimento e de António Nunes Cardoso por falsificação de documento no julgamento das alegadas agressões a Leonor Cipriano. Marinho Pinto adiantou mesmo que ficou «comprovado o que se temia» e que «há tortura nas instalações da PJ». Em reacção, Almeida Rodrigues pergunta «mas houve alguma condenação por tortura».

Mas não são apenas os polícias que criticam Marinho Pinto. Advogados contactados pelo mesmo jornal afirmam ter perdido confiança no representante. Neste momento está a decorrer uma petição para convocar uma assembleia-geral extraordinária da Ordem que destitua o bastonário e o Conselho Geral. Os advogados pretendem ainda a retirada do projecto de alterações ao estatuto da Ordem, que Marinho Pinto entregou ao Governo, depois de o ter feito aprovar no Conselho Geral sem a prévia audição dos seus pares.

Ao jornal «i» Rogério Alves afirma que «a assembleia-geral tem legalidade duvidosa e seria um tiro no pé, levando a uma via sacra interminável de impugnações em tribunal». José Miguel Júdice, também contactado pelo mesmo jornal, admite que o melhor caminho seria a demissão, por própria iniciativa. «Se eu fosse bastonário e visse que a maioria dos conselhos distritais não me apoiava, ia-me embora. Se eu achasse que a assembleia não era representativa, recandidatava-me a seguir», refere o ex-bastonário da Ordem dos Advogados.