O Centro Distrital da Segurança Social vai abrir um inquérito à morte de uma criança de dois anos, esta manhã, numa piscina instalada junto a um centro de actividades de tempos livres (ATL) em Carvide, Leiria.

«Vou abrir um inquérito para apurar as circunstâncias em que ocorreu o incidente», disse à Lusa o director da Segurança Social de Leiria, Fernando Gonçalves.

O responsável adiantou que o espaço «tem alvará para 20 crianças em actividades de tempos livres».

Criança morre afogada em piscina

Esta sexta-feira, ao meio-dia, um menino de dois anos que frequentava o ATL Martibrinca, junto à estrada nacional 349, morreu afogado.

O adjunto do comando dos Bombeiros Voluntários de Vieira de Leiria adiantou que o alerta «foi dado às 12:h01 para uma criança que tinha caído numa piscina». Raul Veríssimo acrescentou que «a ambulância chegou cinco minutos depois» ao ATL, onde «já estava um elemento da corporação que se encontrava perto e iniciou as manobras de reanimação».

«As manobras continuaram com os restantes bombeiros e depois com a VMER até ao hospital de Leiria», afirmou o responsável.

Às 17h00, três inspectores do Departamento de Investigação Criminal de Leiria da Polícia Judiciária chegaram às instalações do ATL, onde permaneceram durante 20 minutos.

Um idoso, que tem um neto de cinco anos a frequentar o espaço, explicou que, após a morte da criança, houve pais que foram buscar as crianças. No caso do neto, «as funcionárias foram levá-lo a casa».

João Morganiço, de 74 anos, acrescentou que o ATL «funciona há cerca de dez anos» e não se lembra de ter havido «problemas». O mesmo disse o presidente da Junta de Freguesia de Carvide, Daniel Casaleiro. «Nunca me chegou queixa alguma», declarou o autarca, explicando que «o espaço é privado» e que o único contacto oficial com a Junta de Freguesia é «quando são solicitadas as instalações da casa do povo para a realização de festas».

Apesar das tentativas, não foi possível falar com os responsáveis do espaço.

Protecção Civil também vai analisar acidente

A Protecção Civil Municipal de Leiria também vai analisar o acidente, disse o comandante do serviço, Artur Figueiredo, explicando à Lusa que «o processo do espaço de actividades de tempos livres», frequentado pela criança, junto ao qual se encontra a piscina, «vai ser analisado e se eventualmente houver algo a corrigir, a entidade será notificada», dado que «o projecto inicial se encontra aprovado».

Sem se reportar à ocorrência desta sexta-feira, Artur Figueiredo apontou a publicação recente de legislação que vai ao encontro «da preocupação destes espaços em termos de segurança».

«Há um conjunto de instituições para as quais, na altura em que foram licenciadas, não existia legislação tão específica», declarou, observando que as novas regras legais «obrigam que novas instalações ou outras que sejam alvo de obras tenham um plano de emergência aprovado».

Artur Figueiredo considera esta imposição como «uma boa medida no sentido de salvaguardar bens e pessoas», mas acrescentou «a necessidade de ser encontrado um mecanismo de forma a serem verificadas as condições de segurança destas entidades e não apenas quando fazem obras».
Redação / CP