Maria (nome fictício) tem 28 anos é estudante universitária e conheceu de perto o peso que a violência pode ter nas relações entre os jovens de hoje. O ex-namorado de 26 anos agrediu-a, ameaçou-a com facas e estrangulou-a até perder os sentidos. Tudo por ciúmes, tudo por sentir que ela «era mulher de mais para ele».

Namoraram durante um ano e três meses, mas só ao fim de seis veio o primeiro empurrão. «Achei que tinha sido o momento. Era um empurrão e não ia passar disso. Mas depois as discussões foram mais frequentes. Bateu-me a sério pela primeira vez no dia dos namorados, ao fim de oito meses de namoro», confessou ao PortugalDiário.

Por trás da violência estavam motivos «fúteis» e ciúmes. «Coisas que ele imaginava, que só estavam na cabeça dele. Ou porque saía tarde das aulas ou porque achava que tinha estado com outros rapazes. Imaginava que eu tinha feito coisas e perdia a cabeça. Era como se eu fosse mulher de mais para ele e tinha medo de me perder», explicou.

Agressões que se tornaram «rotina». Maria não conseguia sair da relação: «o que mais me prendia era eu sentir que ele gostava muito de mim, que me amava de verdade. Quando ele voltava arrependido tínhamos momentos espectaculares. Caminhava ao meu lado a chorar e dizia que também lhe doía muito a ele. E eu vi-a que era verdade».

Maria percebeu com o passar do tempo que só havia duas soluções, ou o namorado procurava ajuda ou ela afastava-se. No entanto, quando tentava, o facto de morarem perto fazia com que ele a abordasse sempre e ela cedesse.

Tudo mudou na última vez que foi agredida. «Ele foi tão violento que fui para o hospital e fiquei internada. Foi quando percebi que ele não ia procurar ajuda e que tinha passado a haver só uma solução», contou.

Apresentou queixa à polícia e confessa que foi determinante. «Se não houvesse a queixa provavelmente teria cedido mais uma vez. Mas o processo deu-me força para me afastar nas poucas vezes que ele voltou a tentar chegar perto».

Pouco meses depois do afastamento, Maria explica que o sucedido a vai acompanhar até ser avó, no entanto, confessa que também retira muita força. «Nunca pensei que me acontecesse a mim. Tive uma boa educação e sempre fui estimada por todos os que rodeiam».

Maria conta a sua história porque quer alertar. «Se eu puder ajudar a que menos mulheres passem por isto, melhor» e lança um aviso: «Cuidado com os meios termos, um empurrão numa discussão acesa pode não ser nada, mas também pode ser o princípio da "rotina"».
Cláudia Costa