A mulher acusada de agredir um agente da PSP disse, em entrevista à TVI, que "levou socos" no carro-patrulha "até desmaiar", momento em que se encontrava algemada

As agressões ocorreram no domingo à noite, na Amadora, depois de Cláudia Simões ter sido detida numa paragem de autocarro, após um desentendimento com o motorista.

Numa das paragens do percurso, o condutor terá avistado um agente da PSP e pedido auxílio, alegando que estava a ser alvo de injúrias e de ameaças por parte da passageira.

O polícia pediu a identificação à mulher, que terá recusado, tendo de seguida sido detida à força. Terá sido então que o agente foi mordido no braço, tendo de receber tratamento hospitalar.

Ele estava a sufocar-me, estava a apertar-me as goelas, tive de o morder porque se não morria. Não estaria aqui para contar a minha história", descreveu Cláudia Simões, referindo-se ao momento da detenção.

 

A passageira foi depois algemada e levada para o carro-patrulha, onde diz ter sido agredida com vários murros na cara até acabar por desmaiar.

O polícia fechou os vidros, meteu música e o polícia, com quem briguei, começou a bater-me. Eu tinha as mãos algemadas atrás das costas e ele começou a bater-me com muita força. Aquela mão que ele tem ferida foi porque estava a tentar tirar-me os dentes que tenho na boca. Só me dava socos na cara. Depois, desmaiei", disse a mulher.

 

A mulher também teve de receber tratamento hospitalar. Ambos os envolvidos na ocorrência foram transportados para o Hospital Amadora-Sintra.

Não cheguei a entrar na esquadra. Meteram-me ali no chão e chamaram a ambulância porque estava a deitar muito sangue da boca e do nariz. A ambulância chegou e levaram-me para o hospital. Em momento algum fui à esquadra", esclareceu Cláudia Simões.

A mulher apresentou queixa, na segunda-feira, contra o agente por agressões.

A PSP já reagiu em comunicado justificando os procedimentos do agente.

Para fazer cessar as agressões da cidadã detida, o agente procedeu à algemagem da mesma, utilizando a força estritamente necessária para o efeito face à sua resistência", explicou a PSP.

A PSP já instaurou um processo de averiguações à conduta do agente em questão.

O SOS Racismo também já reagiu às agressões, condenando os atos e pedindo a suspensão imediata do agente.

Já a mulher foi presente a tribunal, esta terça-feira, e ficou em liberdade com termo de identidade e residência.

/ Catarina Caseirito