Carla dos Santos foi esfaqueada e afogada pelo ex-companheiro quatro anos depois de se ter divorciado. A mulher tinha decidido separar-se após o nascimento do filho e depois de cinco anos marcados por agressões. O homem foi detido no dia seguinte e um ano depois condenado a 20 anos de prisão. Mas o ex-companheiro de Carla já tinha sido condenado, alguns anos antes, a um ano e meio de pena suspensa por violência doméstica. E durante as investigações, o homicida confessou aos inspetores da Polícia Judiciária que tinha também assassinado o cunhado três meses antes. O caso de Carla serviu de mote a um debate na 21.ª Hora da TVI24 sobre violência doméstica, esta quarta-feira, que contou com a presença da mãe da vítima.

A mãe de Carla contou que antes do homicídio da filha já tinha ido à polícia por causa das agressões de que Carla era alvo, mas que não a levaram a sério.

A polícia não me levou em consideração", afirmou, na 21.ª Hora da TVI24.

A progenitora afirmou ainda que o companheiro da filha tinha ameaçado a família inteira.

Ele foi diagnosticado como psicopata com inteligência acima da média. Ele é um sujeito perverso. Ele ameaçou-nos a todos e disse 'se a tua filha me largar eu vou matar a família inteira’."

E mesmo quando o homem foi levado a tribunal, a juíza desvalorizou as agressões, considerando que tinham sido feitas por amor.

A juíza disse 'deixe lá, ele fez isso por amor'", contou a mãe de Carla.

Neste debate sobre violência doméstica Elisabete Brasil, da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), apontou "as causas estruturais da violência doméstica".

As causas estruturais da violência assentam numa desigualdade entre homens e mulheres, numa discriminação gerada por determinados papéis, espera-seque o homem seja forte e que a mulher seja frágil e submissa e homens e mulheres assumem estes papéis e assumem isto nas suas relações também com os outros", afirmou Elisabete Brasil.

E lembrou que “não há uma sociedade que apoie a vítima”.

Por sua vez, a advogada e especialista em assuntos de violência doméstica Leonor Valente Monteiro frisou que quem começa as agressões "dificilmente para".

Sabemos, através das dinâmicas da violência, que o normal é haver uma escalada desta violência", destacou.

A jurista e psicóloga Ana Luísa Conduto notou que, "apesar de haver muita informação", ainda há necessidade de formar magistrados e advogados para esta matéria.

"Há muita informação mas ainda há muita necessidade de formação a magistrados, advogados", frisou.