A atual seca é menos grave que a última ocorrência do fenómeno, em 2005, segundo o primeiro relatório do Ministério da Agricultura, que não prevê limitações no abastecimento de água e na rega dos principais terrenos de regadio público.

Até 15 de fevereiro, cinco por cento do país estava em seca extrema e 70% em seca severa e «em 2005, nesta altura, cerca de metade do território estava em seca severa e a outra em seca extrema», lê-se no primeiro relatório do grupo de trabalho de acompanhamento e avaliação da seca 2012 que foi hoje divulgado, segundo cita a agência Lusa.

Segundo o grupo de trabalho, as previsões disponíveis «são para um curto período de tempo e apontam para uma manutenção da falta de pluviosidade».

As reservas de água maiores, segundo a tutela, partem de um «estado de aprovisionamento muito confortável, não se prevendo, por agora, que venham a existir limitações no abastecimento, ou mesmo na rega, nos principais empreendimentos de regadio público», avança do documento.

«Apenas as reservas de pequena dimensão (aproveitamentos hidroagrícolas privados e pequenas massas de água subterrâneas) apresentam já alguns problemas, tendo em conta a sua utilização no período de inverno», refere.

Na lista dos impactos estão a falta de alimentos naturais para os animais, considerado o «problema mais sentido ao nível do setor agrícola», o aumento de preços dos fenos e de palhas, estando previsto que possam «ocorrer algumas quebras de produção nos cereais de sequeiro de outono/inverno».

O relatório prevê a subida das despesas com as regas de regadio de outono/inverno e nota que em simultâneo com a falta de chuva, as baixas temperaturas originaram principalmente no Oeste e no Algarve quebras de produção devido à geada negra.

Caso a situação se prolongue, há a possibilidade de pragas se desenvolverem prematuramente e assim como o aumento do risco de incêndios florestais.

«Em termos gerais, o agravamento da situação de seca no território continental vai acarretar um aumento do impacto já referido e um eventual alargamento das consequências negativas a outras culturas (primavera/verão, por redução de água disponível) e escassez em algumas reservas hídricas subterrâneas», resume-se no documento.

A tutela indicou a identificação de apoios de «natureza administrativa e/ou antecipação de ajudas comunitárias para fazer face ao aumento dos encargos dos agricultores».

«Todas elas se encontram em estudo, necessitando, em alguns casos, de ser apresentadas para aprovação, à Comissão Europeia», acrescenta o relatório, que refere que depois de ouvido o setor e dada a possibilidade de agravamento da seca «está já em avaliação o acionamento de medidas excecionais para fazer face ao acréscimo de custos de produção».