Pelo menos 120 pessoas foram infetadas pelo surto de covid-19 detetado há duas semanas no lar da vila de Cabeção, do qual já morreram 14 utentes vitimados pela doença, revelou esta quarta-feira o presidente do município de Mora.

Luís Simão explicou à Lusa que apenas sete dos 62 utentes do lar da Associação de Cabeção de Solidariedade aos Trabalhadores Idosos (ACSTI) não foram infetados, o que significa que, neste momento, existem 41 utentes com infeção ativa pelo novo coronavírus SARS-CoV-2.

Dos 45 funcionários que prestavam cuidados na instituição, 28 são casos ativos e o surto já se espalhou pela comunidade, onde existem atualmente 43 outras pessoas infetadas no concelho, das quais “apenas seis não terão nada a ver com o lar”, de acordo com o autarca.

A situação é muito grave”, desabafou Luís Simão, preocupado com a “falta de pessoal para prestar os cuidados necessários” aos utentes do lar, que considera, neste momento, “a maior dificuldade”.

“Não temos apoios da Segurança Social nem de brigadas de intervenção rápida. A pequena equipa que era para vir no dia 23 não chegou. Da Segurança Social, disseram-me que viriam esta semana, mas já vai a meio e até agora nada. Não temos o apoio de ninguém”, lamentou o presidente da Câmara de Mora, no distrito de Évora.

Segundo o autarca, apenas o Centro de Saúde de Mora “tem feito um esforço enorme” para dar algum tipo de resposta, “mas estão completamente estoirados”.

“Qualquer ajuda que viesse, neste momento, era bem-vinda. Nem que fosse só um enfermeiro para ajudar a dar resposta aos utentes infetados, mas até agora nada”, reforçou.

O surto infetou um total de 55 utentes do lar da ACSTI (14 dos quais morreram), 28 funcionários e 37 pessoas da comunidade de Mora, onde existem ainda mais seis outros infetados que não fazem parte das cadeias de transmissão do lar.

Apenas sete utentes que permanecem na Zona de Concentração e Apoio à população (ZCAP) e 17 funcionários ‘escaparam’, mas, perante a gravidade do surto, Luís Simão admite mesmo que esse cenário possa sofrer alterações assim que chegarem os resultados dos testes efetuados na terça-feira a todos os elementos que testaram negativo nos rastreios anteriores.

As primeiras infeções pelo vírus SARS-CoV-2 no lar de Cabeção foram confirmadas em cinco funcionários e dois utentes há cerca de duas semanas, quando foi feita uma primeira testagem a cerca de 25 pessoas.

/ AG