O Ministério Público (MP) indicou hoje que "está a proceder a averiguações" sobre o surto de covid-19 que surgiu num lar em Reguengos de Monsaraz, no distrito de Évora, que já provocou 16 mortos.

Questionado pela agência Lusa sobre a eventual abertura de um inquérito, o magistrado do MP coordenador da Comarca de Évora respondeu: "O Ministério Público está a proceder a averiguações sobre o assunto e situação em causa".

Com a situação no lar, o concelho de Reguengos de Monsaraz regista o maior surto no Alentejo da doença provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, com um total, segundo dados de hoje, de 131 casos ativos, 16 mortos e 14 pessoas curadas (cinco funcionários do lar e nove pessoas da comunidade).

A Lusa tentou, à tarde, obter um comentário do presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz, José Calixto, sobre as “averiguações" do MP, mas as tentativas revelaram-se infrutíferas.

Lar foi descontaminado e vai ser limpo

O lar de Reguengos de Monsaraz onde surgiu o surto de covid-19 foi alvo de descontaminação geral e, na sexta-feira, decorre uma limpeza e devem arrancar trabalhos de pintura, que se prolongarão por “três a quatro semanas”.

“Com certeza que, dentro de três a quatro dias, devemos ter capacidade para ter uma zona do edifício preparada, com 10, 15 ou 20 camas, mas, depois, vamos continuar porque o lar tem cinco alas, duas no rés-do-chão, duas no primeiro andar e outra num edifício contíguo”, disse o autarca José Calixto.

O presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz ((Évora) estimou, em declarações à agência Lusa, que “este trabalho todo, se calhar, durará três a quatro semanas”.

Com a situação no lar, o concelho de Reguengos de Monsaraz regista o maior surto no Alentejo da doença provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, com um total, segundo os dados de hoje, de 131 casos ativos, 16 mortos e 14 pessoas curadas (cinco funcionários do lar e nove pessoas da comunidade).

A “operação de grande envergadura de descontaminação geral” do edifício do Lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS) é que já foi concretizada, “com total sucesso”, na quarta-feira, informou hoje o município, no comunicado enviado aos jornalistas com os dados mais recentes sobre a situação epidemiológica do concelho.

A intervenção, “devidamente articulada com as Forças Armadas Portuguesas e com o Ministério da Defesa”, envolveu “33 militares”, pode ler-se no comunicado.

José Calixto explicou que a operação consistiu na “pulverização de todo o espaço através de um processo de atomização com descontaminante”.

“O que os militares fizeram foi pulverizarem e deixarem partículas em suspensão, átomos em suspensão, durante várias horas. Hoje, por volta das 09:00, com o comando militar, fomos vistoriar todo o espaço, abri-lo e arejá-lo para que, esta tarde, uma equipa possa limpar os resíduos do produto utilizado e que é algo gorduroso, nem sequer permite que as pessoas andem por ali, sob risco de escorregarem e caírem”, esclareceu.

Na sexta-feira de manhã decorre outra limpeza mais geral, como preparação do que vai ser a fase seguinte”, prevista começar no mesmo dia e que consiste “sobretudo em pinturas e no envernizamento de corrimões, camas ou outros espaços”, para “tornar o mais lavável possível todas as superfícies”, indicou.

Até hoje, “não há formalmente” qualquer utente do lar curado, reconheceu o presidente da câmara, mas a ideia é que, mal os idosos tenham dois testes negativos, possam “começar a voltar para o lar”, de forma progressiva, já com os arranjos efetuados.

José Calixto revelou à Lusa que, na quarta-feira, “no primeiro teste realizado, houve seis” idosos “negativos, dos 56 utentes do lar infetados” que se encontram nas instalações do pavilhão multiusos do parque de feiras e exposições.

“Já começaram a aparecer negativos, um sinal muito grande de esperança, mas só são considerados curados após dois testes”, ressalvou, prevendo que os idosos realizem esse segundo teste “dentro de alguns dias”.

 

/ AM