O Ministério Público (MP) arquivou a queixa contra a jornalista Alexandra Borges apresentada por Filipe Cardoso, neto do fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), e um dos visados na reportagem da TVI sobre alegadas adoções ilegais.

Em abril de 2018 Filipe Bezerra Cardoso enviou uma queixa ao Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, alegando que a jornalista Alexandra Borges, uma das autoras da reportagem da TVI “Segredo dos Deuses”, o tentou subornar e à sua mulher para prestar depoimento.

Segundo um despacho a que a agência Lusa teve acesso, “não se constatou que procurasse induzir o queixoso a prestar depoimento não verdadeiro antes referindo que queria que falasse a verdade sem a pressão dos advogados da IURD”.

O autor da queixa é uma das crianças visadas na reportagem, hoje adulto e alegadamente roubado à mãe biológica e adotado por Cristiane Cardoso, filha do bispo da IURD Edir Macedo.

Como provas, a defesa do jovem apresentou cópias de conversas telefónicas e mensagens trocadas com a jornalista.

Contactada na altura pela Lusa, Alexandra Borges desmentiu a tentativa de suborno, dizendo que se tratava de uma difamação.

O meu trabalho fala por mim”, disse a jornalista.

Dois anos depois, o MP arquivou o processo considerando que depois de analisadas diversas mensagens enviadas “não se constatou que procurasse induzir o queixoso a prestar depoimento não verdadeiro” e que “nem na queixa nem no seu depoimento o queixoso detalha qual o falso depoimento que a denunciada queria que prestasse”.

Entende assim o MP que a jornalista “não está indiciada da prática de qualquer ilícito penal”.

Após o arquivamento, a jornalista Alexandra Borges disse à Lusa que irá agir criminal e civilmente contra a IURD e contra o neto do fundador da IURD, Filipe Bezerra Cardoso.

A reportagem da TVI denunciou, em dezembro de 2017, uma alegada rede de adoções ilegais de crianças por parte da IURD.

/ AG